Dia da Mulher: Tatiana Sampaio e o sucesso na carreira pública

Servidora concursada da UFRJ, Tatiana Sampaio lidera pesquisa brasileira sobre polilaminina. Conheça também outras mulheres na ciência!

Carreiras
Autor:Bruna Somma
Publicado em:07/03/2026 às 09:00
Atualizado em:06/03/2026 às 17:01

Muitos acreditam que passar em um concurso público é o início de uma rotina estável, às vezes até mecânica. A trajetória da bióloga Tatiana Sampaio, professora concursada da UFRJ, prova que a estabilidade pode ser, na verdade, o combustível para inovações que ganham o mundo.


Nascida em Vila Isabel, na Zona Norte do Rio de Janeiro, Tatiana se interessou por Biologia ainda na escola. A partir daí, seguiu uma trajetória marcada pela formação na educação pública.


Ela concluiu a graduação em Ciências Biológicas em 1986, o mestrado em 1990 e o doutorado em 1992, todos pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Posteriormente, realizou dois estágios de pós-doutorado no exterior.


Um deles foi em imunoquímica na Universidade de Illinois, nos Estados Unidos. O outro ocorreu na Universidade Erlangen-Nuremberg, na Alemanha, com estudos sobre inibidores de angiogênese.


Em 1995, Tatiana ingressou na UFRJ como professora, por meio de concurso público. Já em 1997, iniciou as pesquisas que dariam origem ao estudo com polilaminina.

Tatiana Sampaio foi aprovada no concurso UFRJ para professor do Magistério Superior

(Foto: Divulgação)


Ela coordena, hoje em dia, o Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. O grupo investiga proteínas da matriz extracelular, com foco no potencial regenerativo da polilaminina.


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Muito além do cargo: a oportunidade de fazer história

O caminho da bióloga Tatiana Lobo Coelho de Sampaio mostra que o serviço público pode ir muito além de só uma carreira estável. Professora da UFRJ, ela construiu dentro da universidade pública uma trajetória dedicada à pesquisa científica.


Muitos pensam no concurso público como porta de entrada para funções repetitivas ao longo da vida. No entanto, carreiras públicas, especialmente em universidades e institutos de pesquisa, também podem abrir caminhos para a inovação e o impacto social.


Foi nesse ambiente que Tatiana iniciou, ainda nos anos 1990, estudos sobre a polilaminina. Décadas depois, a pesquisa avançou até chegar à fase de testes clínicos em humanos, com autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).


O caso evidencia como o serviço público também pode ser espaço de crescimento profissional e produção de conhecimento. Em vez de apenas ocupar um cargo, servidores têm a possibilidade de desenvolver projetos capazes de gerar mudanças reais para a sociedade.

Mulheres que marcam a Ciência no país

Assim como Tatiana, diversas pesquisadoras marcaram a Ciência no país. Nomes como Sônia Guimarães (ITA) e Margareth Dalcomo (Fiocruz) mostram que as instituições públicas brasileiras são celeiros de protagonistas.


Veja algumas exemplos de mulheres cientistas abaixo:


Tatiana Sampaio: bióloga, professora concursada e pesquisadora da UFRJ, lidera estudos sobre polilaminina, substância experimental aplicada na coluna para estimular a reconexão nervosa após lesões na medula espinhal. A pesquisa, em 2026, avançou para a fase 1 de estudos clínicos em humanos, autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária.


Sônia Guimarães: primeira negra a lecionar no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e a primeira mulher negra doutora em Física. Ela desenvolveu técnicas para produzir sensores de radiação infravermelha usados em tecnologia aeroespacial.


Margareth Dalcomo: pneumologista e pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), referência no estudo e tratamento da tuberculose no Brasil. Ganhou destaque nacional durante a pandemia de Covid-19 por sua atuação científica e na divulgação de informações sobre saúde pública.


Márcia Barbosa: física e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, reconhecida internacionalmente por pesquisas sobre anomalias da água e física da matéria condensada. Foi uma das primeiras brasileiras a receber o prêmio internacional L'Oréal-Unesco For Women in Science.


Ester Sabino: médica e pesquisadora da Universidade de São Paulo, liderou a equipe responsável pelo sequenciamento do genoma do coronavírus no Brasil poucos dias após o primeiro caso confirmado de Covid-19 no país.


Mayana Zatz: geneticista e professora da Universidade de São Paulo, referência mundial em pesquisas sobre doenças genéticas e distrofias musculares. Fundou o Centro de Pesquisa sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da universidade.


Johanna Döbereiner: agrônoma e pesquisadora da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), pioneira no estudo da fixação biológica de nitrogênio. Suas pesquisas ajudaram a reduzir o uso de fertilizantes químicos na agricultura.


Jaqueline Goes de Jesus: biomédica e pesquisadora da Universidade de São Paulo, participou da equipe que sequenciou o genoma do coronavírus no Brasil durante a pandemia de Covid-19.


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