
Outubro foi um mês cheio de acontecimentos, e a banca adora mês assim.
Quando muita coisa acontece ao mesmo tempo, o candidato decora manchetes e esquece o que realmente cai: o contexto, os números-chave e a ligação com conteúdos fixos do edital, como Direito Constitucional e Geopolítica.
Separei os seis temas que mais merecem a sua atenção e, em cada um, mostro o ângulo que eu cobraria se estivesse elaborando a prova.
Confira também a live sobre os assuntos
Eleição presidencial: a virada inédita de Lula
Com 64.256.232 votos (51,79% dos votos válidos), Lula foi reeleito presidente; Flávio Bolsonaro ficou em segundo, com 59.826.041 votos (48,21%).
O dado que transforma essa eleição em questão de prova é outro: no primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio havia terminado à frente, e foi a primeira vez que um candidato que terminou o primeiro turno em segundo lugar venceu o segundo.
Com isso, Lula conquistou o quarto mandato, e Geraldo Alckmin segue como vice no período de 2027 a 2030.
Na prova, ligue o fato à regra: pela Constituição, é eleito no primeiro turno quem obtém a maioria absoluta dos votos válidos, sem contar brancos e nulos. Se ninguém atinge esse patamar, os dois mais votados disputam o segundo turno.
Flávio Bolsonaro deixa o país após decisão do STF
Dois dias depois do resultado, o candidato derrotado virou notícia por outro motivo.
A ordem de entrega dos passaportes foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes na noite de 25 de outubro, dentro de um inquérito sobre suposta lavagem de dinheiro envolvendo Flávio e o advogado Willer Tomaz.
Como o senador não entregou os documentos no prazo, a Polícia Federal cancelou o passaporte. Autoridades argentinas confirmaram que ele, a esposa e as filhas atravessaram a fronteira, e a família desembarcou em Miami na manhã de 28 de outubro.
Para a prova, guarde os conceitos: por ser senador, Flávio tem foro por prerrogativa de função no STF, e a entrega de passaporte é uma medida cautelar diversa da prisão.
Israel: eleição termina sem maioria
Israel foi às urnas em 27 de outubro para escolher os 120 integrantes do Knesset, o Parlamento, onde são necessárias 61 cadeiras para a maioria. A coalizão de direita e extrema-direita de Netanyahu ficou com 53 cadeiras, com o Likud mantendo a maior bancada (27).
O bloco de oposição liderado pelo centrista Gadi Eisenkot somou 48. Resultado: impasse, com a possibilidade de uma nova eleição. Foi também a primeira votação desde o ataque do Hamas de 7 de outubro de 2023, com a maior participação desde 1999.
O ponto conceitual é o parlamentarismo: em Israel, o primeiro-ministro depende de formar maioria no Parlamento. Vencer a eleição como maior partido não garante o governo.
França: de uma escola em Créteil às ruas do país
Esse tema mostra como um protesto local vira crise nacional. O estopim foi uma greve de professores do liceu Saint-Exupéry, em Créteil, perto de Paris, contra a falta de pessoal; no dia seguinte, cerca de 200 estudantes bloquearam a escola em apoio.
A pauta se ampliou para custo de vida, preço dos combustíveis, salários, aposentadorias e serviços públicos, com apoio de integrantes dos Coletes Amarelos.
O pico foi em 17 de outubro. Os organizadores falaram em cerca de 800 mil manifestantes; o governo, em 500 mil. O Ministério do Interior informou cerca de 2.400 detidos e cerca de mil policiais feridos. Fique atento ao calendário: tudo isso aconteceu a seis meses da eleição presidencial francesa.
Fim da escala 6x1: o que muda e quando
Esse é o tema com mais chance de cair, porque mexe com a Constituição. O Senado aprovou a PEC 221/2019 em 14 de outubro, em dois turnos, com 75 votos a favor e um contrário. Dois dias depois, o Congresso promulgou a Emenda Constitucional nº 141 de 2026.
Grave a transição: para a maioria dos trabalhadores, a escala 5x2 e a redução para 42 horas semanais valem em até 60 dias após a promulgação; doze meses depois, a jornada cai para 40 horas, sem redução salarial. Por exceção, convenção ou acordo coletivo pode estabelecer regime compensatório diferente da 5x2.
E a pegadinha clássica: emenda constitucional não passa por sanção do presidente. Ela exige aprovação em dois turnos em cada Casa, com três quintos dos votos, e é promulgada pelas Mesas da Câmara e do Senado.
Espanha: segunda tragédia ferroviária em menos de um ano
A colisão entre dois trens de alta velocidade perto de Urda, na província de Toledo, em 28 de outubro, deixou pelo menos 69 mortos e é a pior tragédia ferroviária da Espanha desde o descarrilamento de Santiago de Compostela, em 2013, que matou 80 pessoas.
O acidente veio nove meses depois do de Adamuz, em Córdoba, que deixou 46 mortos.
Sobre a causa, cuidado com conclusões apressadas. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, apontou como foco da investigação a ordem do centro de controle da Adif para que o trem da Renfe voltasse a circular.
Mas ainda não há causa definitiva: a apuração vai verificar falhas de sinalização, erros nas instruções do centro de controle ou uma combinação de fatores.
Como estudar esses temas a partir de agora
Não tente decorar tudo. Para cada tema, anote três coisas: o fato, um número-chave e o conceito do edital ligado a ele. É isso que transforma notícia em ponto na prova.
Depois, teste. É resolvendo questões que você descobre se entendeu o contexto ou só leu a manchete. Para treinar Atualidades com questões filtradas por banca e assunto, conheça os planos do Qconcursos.








