Concurso Correios: Lula descarta privatizar e ameniza sobre crise

Sem chamar aprovados do concurso, Correios têm privatização descartada pelo atual presidente Lula. Ele também fala sobre crise e reestruturação. Veja!

Publicado em:28/08/2026 às 08:54
Atualizado em:28/08/2026 às 08:54

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a descartar a privatização dos Correios e prometeu recuperar a empresa, que enfrenta uma grave crise financeira. As declarações ocorrem enquanto aprovados no concurso Correios ainda aguardam convocações.


Candidato à reeleição, Lula falou sobre a situação da estatal na noite de quinta-feira, dia 27, durante entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, como parte da rodada de sabatinas com os candidatos à Presidência da República.


Questionado sobre os resultados negativos da empresa e uma eventual privatização, o presidente afirmou que pretende manter os Correios sob controle estatal.

"Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios", afirmou Lula.

O presidente também garantiu que a empresa poderá superar a atual situação financeira e voltar a prestar serviços com qualidade. Ao mesmo tempo, reconheceu problemas na gestão e na adaptação da estatal às mudanças no mercado de entregas.


Apesar de abordar a necessidade de mudanças nos Correios, Lula não tratou, durante esse trecho da entrevista, da contratação de pessoal nem apresentou previsão para a convocação dos aprovados nos concursos públicos em andamento.


A ausência de uma sinalização ocorre em meio à crescente cobrança pelas admissões. O concurso para carteiro e cargos de nível superior continua válido até abril de 2027, mas os aprovados da área Operacional seguem sem um cronograma oficial de chamadas.


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Foto de Lula em discurso
Atual presidente da República, Lula promete recuperar Correios e descarta privatizar a estatal (Foto: Agência Brasil)


Lula reconhece crise, mas diz que problema dos Correios é antigo

Ao responder sobre a situação financeira dos Correios, Lula argumentou que as dificuldades da estatal não começaram em seu atual governo.

"Desde 85 o Correio brasileiro vive em crise e alguém quer privatizar os Correios", afirmou.

Na entrevista, Lula também destacou a presença dos Correios em todos os municípios brasileiros como justificativa para considerar a empresa estratégica.


Por outro lado, o próprio presidente reconheceu que a estatal perdeu espaço diante das transformações do setor de entregas.


Segundo Lula, os Correios "não se adaptaram aos novos tempos", enquanto novas empresas passaram a disputar esse mercado.


A avaliação veio acompanhada da indicação de que mudanças deverão ser feitas. Lula afirmou que a nova administração da empresa tem a responsabilidade de realizar o "enxugamento necessário" nas contas.


Ele também admitiu a possibilidade de associações com empresas brasileiras ou estrangeiras para ampliar e melhorar os serviços, mas voltou a afastar uma venda da companhia.


A situação financeira, porém, segue como um dos principais obstáculos enfrentados pelos Correios e tem reflexos diretos sobre as admissões.


A própria estatal já vinculou o ritmo das convocações à disponibilidade orçamentária, à necessidade de recomposição do quadro e às medidas de reestruturação financeira.


Governo Lula já havia descartado privatização em 2022

A posição manifestada por Lula nesta semana não é inédita. Ainda em dezembro de 2022, antes do início do terceiro mandato do presidente, integrantes da equipe de transição já indicavam que os Correios seriam retirados dos planos de privatização.


Na ocasião, Paulo Bernardo, que integrava o grupo técnico de Comunicações da transição, afirmou que a empresa não seria privatizada.


O debate ocorria porque os Correios integravam o Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), no qual haviam sido incluídos durante o governo de Jair Bolsonaro.


Naquele momento, um dos argumentos apresentados pela equipe de transição para preservar o caráter público da empresa era justamente sua atuação em localidades que poderiam não ser consideradas comercialmente atrativas pela iniciativa privada.


A situação do quadro de pessoal também já aparecia como problema. Em 2022, a empresa ainda não havia realizado um novo concurso para sua área Operacional desde 2011 e vinha registrando redução no número de empregados.


Posteriormente, em 2024, os Correios finalmente realizaram novos concursos para recomposição de pessoal.


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Recuperação financeira pode abrir espaço para aprovados

A possibilidade de novas admissões está diretamente relacionada à recuperação financeira dos Correios.


Recentemente, o Governo Federal passou a analisar uma antecipação de R$6 bilhões em recursos para a empresa. A definição era esperada até o fim de agosto, durante a elaboração do Orçamento de 2027.


Para a Findect, uma melhora na situação financeira poderia contribuir para a convocação dos aprovados, além de possibilitar investimentos em estrutura, equipamentos e veículos.


A estatal, por sua vez, também aposta em medidas de redução de despesas. Entre elas está um Plano de Desligamento Voluntário (PDV), dentro da estratégia de reestruturação financeira.


Os concursos realizados em 2024 ofertaram 3.544 vagas, sendo:

  • 3.511 vagas: área Operacional, incluindo carteiro e cargos de nível superior; e
  • 33 vagas: Segurança e Medicina do Trabalho (SESMT), além de cadastro de reserva.

Até agora, somente a seleção para o SESMT teve as primeiras convocações publicadas. As 33 vagas imediatas dessa área foram contempladas em abril de 2026.


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