
Quem deixa atualidades para a véspera da prova costuma estudar no susto. O volume de notícias é enorme, e separar o que é relevante do que é apenas barulho exige método.
A recomendação continua a mesma: acompanhar os fatos antes do edital, priorizando política nacional, relações internacionais, economia, cultura, tecnologia e segurança pública, e observar quais assuntos se repetem nos principais veículos de imprensa do país.
Com essa base construída mês a mês, basta refinar os temas mais quentes nos dois ou três meses entre a publicação do edital e a prova. Confira abaixo o que marcou setembro.
Lula abre a 81ª Assembleia Geral da ONU
No dia 22 de setembro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu o Debate Geral da 81ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York, mantendo a tradição, existente desde 1955, de o Brasil ser o primeiro país a discursar.
Foi a décima vez que Lula ocupou a tribuna nessa condição, e o presidente dos EUA, Donald Trump, falou logo em seguida.
O discurso teve como eixo a defesa da soberania nacional e criticou a escalada de conflitos armados, a "lei do mais forte" e a ingerência externa em processos eleitorais.
Lula também retomou bandeiras clássicas da política externa brasileira, como a reforma do Conselho de Segurança e a defesa do Sul Global, além de mencionar o Pix, a Lei Antifacção, o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (lançado na COP30, em Belém) e o controle sobre minerais estratégicos. A fala ocorreu a menos de duas semanas do primeiro turno das eleições presidenciais.
Para concursos, o tema é clássico em Relações Internacionais e Atualidades: vale revisar a estrutura da ONU (Assembleia Geral, Conselho de Segurança e seus cinco membros permanentes com poder de veto), a origem da tradição brasileira de abrir o debate e os princípios que regem o Brasil nas relações internacionais, previstos no art. 4º da Constituição Federal, como independência nacional, não intervenção e solução pacífica dos conflitos, tema recorrente em provas de diplomacia, tribunais e carreiras jurídicas.
Medida provisória proíbe as Bets no Brasil
Em 25 de setembro, o presidente Lula assinou a Medida Provisória 1.394/2026, que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa, as chamadas bets, em todo o território nacional.
A vedação alcança apostas esportivas, cassinos on-line e empresas sediadas no exterior que atendam apostadores no Brasil; as demais loterias previstas em lei não são afetadas.
A MP fixou um calendário: novos depósitos ficaram proibidos desde a publicação, os apostadores têm até 5 de outubro para sacar seus saldos, sites e aplicativos devem sair do ar no dia seguinte e as autorizações existentes serão extintas em 25 de outubro.
As multas podem chegar a R$ 2 bilhões. O governo justificou a medida com argumentos de saúde pública, citando endividamento das famílias e aumento de casos de ansiedade e depressão, e anunciou um projeto de lei para criar crimes específicos ligados às apostas.
O tema é um prato cheio para Direito Constitucional, pois permite cobrar o rito das medidas provisórias previsto no art. 62 da Constituição: requisitos de relevância e urgência, vigência imediata com força de lei, prazo de 60 dias prorrogável por mais 60 e trancamento da pauta após 45 dias.
Também pode aparecer em Economia e Políticas Públicas, ao tratar da revogação do marco regulatório anterior (Lei 14.790/2023), da arrecadação do setor e dos efeitos sobre o orçamento doméstico, assunto relevante para Receita Federal, bancos públicos e órgãos de defesa do consumidor.
"Feito Pipa" vai representar o Brasil na disputa pelo Oscar 2027
Em 16 de setembro, a Academia Brasileira de Cinema escolheu "Feito Pipa", de Allan Deberton, para representar o país na disputa por uma vaga em Melhor Filme Internacional no Oscar 2027.
Rodado em Quixadá, no Ceará, o longa acompanha Gugu, um menino de 12 anos criado pela avó, e tem Lázaro Ramos no elenco. Antes da escolha, o filme já havia sido premiado no Festival de Berlim (Urso de Cristal e Grand Prix da mostra Generation Kplus) e no Festival de Gramado.
A seleção não garante indicação: a lista de 15 pré-finalistas sai em dezembro, e os indicados serão anunciados em 21 de janeiro de 2027. A partir desta edição, a categoria também passa a aceitar filmes vencedores dos principais festivais do mundo, e a indicação recai sobre a obra, não mais sobre o país.
Caso chegue à lista final, será a terceira participação consecutiva do Brasil, depois de "Ainda Estou Aqui", vencedor em 2025, e "O Agente Secreto".
O assunto costuma aparecer em provas de Atualidades culturais e pode ser cobrado junto a temas de políticas públicas de cultura, como o papel da Ancine, os mecanismos de fomento ao audiovisual (Lei Rouanet e Lei do Audiovisual) e a cota de tela para filmes nacionais, assuntos recorrentes em concursos de órgãos de cultura e agências reguladoras.
Trump recebe Xi Jinping em Washington
Entre 23 e 25 de setembro, o presidente da China, Xi Jinping, fez visita de Estado aos Estados Unidos, a primeira em 11 anos, e foi recebido por Donald Trump com cena de gala na Casa Branca e visita aos Arquivos Nacionais.
Foi o segundo encontro presencial dos dois em 2026, depois da ida de Trump a Pequim em maio, e ambos anunciaram mais duas reuniões até o fim do ano: na cúpula da APEC, na China, em novembro, e no G20 de Miami, em dezembro.
Os resultados concretos foram modestos. Os líderes prorrogaram a trégua comercial firmada em Busan (Coreia do Sul) em 2025, agora até 10 de janeiro de 2027, criaram um canal direto de diálogo sobre inteligência artificial e anunciaram o compromisso de construir uma relação de "estabilidade estratégica".
Temas sensíveis, como tarifas, exportação de terras raras e Taiwan, seguiram sem solução, e a visita ficou marcada também pela tradicional "diplomacia dos pandas", com o envio de dois animais a um zoológico de Atlanta.
Para concursos, o tema é central em Geopolítica e Relações Internacionais: vale revisar a disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo, o papel dos minerais críticos e das terras raras na cadeia tecnológica, a questão de Taiwan e o princípio de "uma só China".
Em Economia, o assunto se conecta aos impactos da guerra tarifária sobre o comércio global e sobre o Brasil, que tem na China seu principal parceiro comercial, tema frequente em provas de comércio exterior, diplomacia e carreiras fiscais.
Trump veta CNN, MS NOW e Politico na Casa Branca
Em 18 de setembro, o presidente Donald Trump anunciou, em sua rede social Truth Social, que estava banindo a CNN, a MS NOW (antiga MSNBC) e o site Politico da Casa Branca, acusando os veículos de produzir cobertura "desonesta" e "tendenciosa" e prometendo que outros meios seriam os próximos.
Em reação, as cinco emissoras que formam o pool de televisão da Casa Branca, incluindo a Fox, suspenderam temporariamente a cobertura do presidente.
Os veículos recorreram à Justiça, e, em 24 de setembro, um juiz federal ordenou que o governo restabelecesse temporariamente o acesso dos três à sede do Executivo.
Ainda assim, a Casa Branca impediu a CNN de representar as grandes redes na cobertura de uma viagem de Trump ao Tennessee, e o caso segue em disputa judicial. O episódio se soma a outros atritos do governo com a imprensa, como a restrição imposta à agência Associated Press em 2025.
Para concursos, o tema é um gancho para Direito Constitucional e Direitos Humanos: vale revisar a liberdade de imprensa e a vedação à censura prévia na Constituição brasileira (arts. 5º, IX, e 220), a Primeira Emenda da Constituição dos EUA e o papel da imprensa como fiscalizadora do poder. Também dialoga com debates sobre desinformação e regulação das redes, assunto recorrente em provas de Atualidades, tribunais e carreiras de comunicação pública.
Eleições regionais na Alemanha: avanço da extrema direita e da esquerda radical
Setembro foi marcado por vitórias históricas de partidos fora do centro político nas eleições estaduais alemãs. Em 6 de setembro, a Alternativa para a Alemanha (AfD), de extrema direita, venceu na Saxônia-Anhalt com cerca de 44% dos votos, ficando perto da maioria absoluta.
Em 20 de setembro, a AfD voltou a vencer, agora em Mecklemburgo-Pomerânia Ocidental (38,2%), enquanto o partido A Esquerda (Die Linke) conquistou pela primeira vez a capital, Berlim, com 25,7%.
O grande derrotado foi a União Democrata-Cristã (CDU), do chanceler Friedrich Merz, que ficou em segundo lugar em Berlim e não alcançou sequer a cláusula de barreira de 5% em Mecklemburgo.
Apesar dos resultados, nem a AfD nem o Die Linke têm maioria garantida para governar, e a formação de coalizões depende de negociações, em meio ao chamado "cordão sanitário" adotado pelos demais partidos contra a extrema direita.
O tema é rico para provas de Geopolítica e Atualidades internacionais, permitindo cobrar a fragmentação partidária na Europa e a ascensão de partidos antissistema. Também é um bom gancho para Ciência Política, ao tratar do federalismo alemão, do sistema eleitoral misto, da cláusula de barreira e da formação de governos de coalizão em regimes parlamentaristas, conceitos que costumam aparecer em comparações com o modelo brasileiro.
Como estudar esses temas
Mais do que decorar datas e números, o candidato deve conectar cada fato à disciplina em que ele pode ser cobrado: a MP das bets leva ao processo legislativo, o veto à imprensa leva aos direitos fundamentais, e as eleições alemãs levam aos sistemas de governo.
Essa leitura interdisciplinar é justamente o que as bancas têm explorado nas questões de atualidades.









