Esther Dweck defende concursos federais e estabilidade

Ministra da Gestão e da Inovação, Esther Dweck reforça importância de concursos federais, estabilidade e fala sobre IA e reajuste salarial. Veja!

Política e Concursos
Publicado em:16/10/2026 às 13:11
Atualizado em:16/10/2026 às 13:23

A ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, voltou a defender na quarta-feira, dia 14, a realização de concursos federais mais frequentes e afirmou que a Inteligência Artificial deve apoiar o trabalho dos servidores e não substituí-los.


Durante participação no programa "Café com Política: Serviço Público em Pauta", ela apresentou um balanço das ações do Governo Federal e abordou temas como planejamento de pessoal, valorização das carreiras e política salarial.


Dweck também informou que o orçamento de 2027 reserva recursos para discutir novos reajustes salariais após as eleições. As falas ganham relevância em meio ao debate eleitoral sobre o futuro do funcionalismo.


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Ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck
Ministra Esther Dweck fala sobre concursos, estabilidade, Reforma Administrativa, IA e mais (Foto: Divulgação MGI)


Enquanto a ministra defende a recomposição dos quadros e a manutenção da estabilidade, Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro, defende concursos para carreiras típicas de Estado, mas questiona a reposição de outros profissionais e levanta a possibilidade de ampliar o uso da Inteligência Artificial.


Leia também: Eleições 2026: o que Lula e Flávio propõem para concursos


Esther Dweck quer concursos federais mais frequentes

A realização de concursos federais em intervalos menores foi um dos principais pontos abordados por Esther Dweck.


Segundo a ministra, o governo encontrou uma administração pública marcada pela redução do número de servidores. Entre 2016 e 2022, o Executivo Federal registrou uma saída líquida de quase 70 mil trabalhadores, desconsiderando universidades e institutos federais.


Desde janeiro de 2023, foram autorizados 25 mil provimentos, enquanto quase 20 mil servidores deixaram o serviço público, principalmente por aposentadoria. O saldo líquido foi de aproximadamente 5 mil ingressos.

“Então tinha uma perda de quase 70 mil e uma entrada líquida de 5 mil, que de fato não repõe toda a necessidade que a gente tinha”, apontou.

Na avaliação de Dweck, esse resultado demonstra que a recomposição dos quadros ainda não foi suficiente para atender a todas as necessidades da administração pública.


A ministra defendeu uma mudança na lógica de planejamento: concursos mais frequentes e com menos vagas por seleção, permitindo que os órgãos reponham profissionais de maneira contínua.

“Quase todas as carreiras vivem isso pela falta de um planejamento mais regrado e contínuo de concurso. Então a gente está melhorando o dimensionamento da força de trabalho para planejar a necessidade, estamos também trabalhando muito em carreiras mais transversais, vão continuar existindo outras carreiras importantes, e a lógica de um concurso mais frequente, com menos vagas, mas mais frequentes”, afirmou.

Dweck também mencionou a possibilidade de ampliar o alcance do Concurso Público Nacional Unificado (CPNU).


Segundo ela, o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) mantém diálogo com o Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) para estudar a participação de estados e, eventualmente, municípios no modelo.


A discussão, porém, ainda não representa a confirmação de novos editais nem estabelece um calendário de concursos federais para 2027. Cada seleção depende das necessidades do órgão, das autorizações aplicáveis e da disponibilidade orçamentária.


Estabilidade dos servidores é defendida pela ministra

Esther Dweck também defendeu a manutenção da estabilidade dos servidores públicos e afirmou que ela protege tanto os servidores quanto a população brasileira.


De acordo com a ministra, a estabilidade permite que os profissionais desempenhem suas funções sem o risco de perseguição política, inclusive quando precisam denunciar irregularidades.


A ministra ressaltou que defender a estabilidade não significa dispensar melhorias na administração. Para ela, é necessário ampliar a transparência, a prestação de contas e o reconhecimento do trabalho realizado pelos servidores.

"Eu sempre defendi que a estabilidade do serviço público é uma proteção do Estado e, portanto, da população brasileira. Por que a estabilidade é importante? Porque ela permite que o servidor público possa trabalhar sem o risco de perseguição política. Então isso permite que ele denuncie malfeitos, denuncie até caso de corrupção”, disse.

Dweck comentou as propostas de Reforma Administrativa em discussão no Congresso Nacional. Ela manifestou oposição à PEC 32/2020, apresentada durante o governo Jair Bolsonaro, e apontou divergências em relação a dispositivos da PEC 38/2025, de iniciativa parlamentar.


Ela informou que o governo Lula se comprometeu a barrar a PEC 32 por considerar que suas medidas poderiam comprometer a estrutura e a capacidade de atuação do Estado.


Sobre a PEC 38, a ministra afirmou que o governo não participou da elaboração da proposta e discorda de pontos do texto, como a possibilidade de extinguir carreiras por decreto.


Inteligência Artificial vai acabar com os concursos públicos?

A possibilidade de substituir servidores por Inteligência Artificial também ganhou espaço no debate sobre o futuro do serviço público.


Esther Dweck defendeu que a Inteligência Artificial seja utilizada para aumentar a produtividade, reduzir a burocracia e melhorar os serviços prestados à população, sem ter como objetivo substituir os servidores.


Segundo a ministra, o Governo Federal conta com 182 soluções de IA em uso, enquanto outras 700 estão em desenvolvimento ou preparação. Ela também informou que a Escola Nacional de Administração Pública (Enap) já capacitou mais de 200 mil pessoas no assunto.


Dweck ressaltou que a adoção da tecnologia deve contar com supervisão humana e que algumas tarefas podem mudar ou deixar de existir, sem que isso signifique a substituição generalizada dos profissionais.

“Uma das coisas básicas do nosso guia ético é a supervisão humana, não pode ter decisão feita por IA, tem que ter supervisão humana em todo o processo e as soluções têm que ser analisadas. Então, é um processo de formação de uso da tecnologia, tanto para a pessoa aprender, mas saber como usa isso de forma responsável”, explicou.

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Governo prevê discussão sobre reajustes salariais em 2027

Além dos concursos e da estabilidade, Esther Dweck abordou a remuneração dos servidores federais.


A ministra afirmou que o orçamento de 2027 reserva recursos para discutir novos reajustes após as eleições. Segundo ela, a negociação sobre a utilização desses valores deverá ocorrer no próximo ano.


A declaração indica a previsão de espaço orçamentário para a discussão, mas não significa que um novo aumento esteja aprovado. Os percentuais, as condições e as categorias eventualmente contempladas ainda não foram definidos e também dependem do resultado das eleições.


Dweck também destacou a retomada da Mesa Nacional de Negociação Permanente em fevereiro de 2023. Entre os resultados citados, estão o reajuste linear de 9% concedido aos servidores federais naquele ano e a abertura de mais de 50 mesas de negociação em 2024.


Em relação ao auxílio-alimentação, a ministra afirmou que o benefício passou de R$458 para R$1.192 durante o atual governo. Ela reconheceu, contudo, a diferença entre os valores pagos pelo Executivo e os praticados nos demais Poderes.


O que as declarações significam para quem estuda para concursos federais?

A entrevista de Esther Dweck reuniu pontos importantes para quem pretende ingressar no serviço público federal. Confira os principais destaques:

  • Concursos federais: a ministra defende seleções mais frequentes e planejamento contínuo para recompor os quadros;
  • Estabilidade: Dweck considera a garantia uma proteção para os servidores e para a população;
  • Inteligência artificial: a ministra defende a tecnologia como apoio ao trabalho, com supervisão humana;
  • Salários em 2027: o orçamento prevê recursos para discutir reajustes após as eleições, mas não há valores definidos; e
  • Reforma Administrativa: a ministra se opõe à PEC 32/2020 e discorda de pontos da PEC 38/2025.

As declarações reforçam a importância de acompanhar as decisões que podem influenciar a abertura de concursos e a organização das carreiras públicas.


Para quem está se preparando, o próximo passo é monitorar os anúncios oficiais dos órgãos de interesse e manter os estudos alinhados aos requisitos e às disciplinas dos editais.


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