A taxa de desemprego no Brasil ficou em 14,1% no trimestre encerrado em novembro, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Continua (Pnad) divulgados nesta quinta-feira, 28, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Esse é o segundo recuo seguido — em outubro, foi registrada uma taxa de 14,3%, enquanto, em setembro, era de 14,6%. No entanto, apesar da queda, o desemprego atinge 14 milhões de brasileiros.
O número de desempregados em novembro foi 100 mil a menos do que o registrado em outubro. Já em comparação com o mesmo período de 2019, esse grupo aumentou em cerca de 2,2 milhões de pessoas.
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Visto a baixa variação no número de desempregados, o que explica essa queda na taxa de desemprego é o aumento no número de pessoas ocupadas. Entre os meses de agosto a novembro, 3,9 milhões de brasileiros conseguiram um emprego — um aumento de 4,8% nesse período.
Para Adriana Beringuy, analista da pesquisa, o aumento da ocupação é explicado pela flexibilização das medidas restritivas que foram adotadas para combate da pandemia. Além disso, ela também pontua as contratações sazonais do comércio.
“O crescimento da população ocupada é o maior de toda a série histórica. Isso mostra um avanço da ocupação após vários meses em que essa população esteve em queda. Essa expansão está ligada à volta das pessoas ao mercado que estavam fora por causa do isolamento social e ao aumento do processo de contratação do próprio período do ano, quando há uma tendência natural de crescimento da ocupação”, explica.
(Foto: Christiano Antonucci/Secom-MT)
Nove de dez ramos de atividades registraram aumento na ocupação
Dos dez ramos de atividade profissional investigadas pelo IBGE, nove registraram aumento no número de pessoas ocupadas. O crescimento mais intenso foi registrado pelo comércio.
“O comércio nesse trimestre, assim como no mesmo período do ano anterior, foi o setor que mais absorveu as pessoas na ocupação, causando reflexos positivos para o trabalho com carteira no setor privado que, após vários meses de queda, mostra uma reação”, ressalta Adriana.
Entre os 3,9 milhões de trabalhadores que conseguiram emprego entre agosto e novembro, 854 mil ingressaram no comércio — o que representa 22%. No entanto, analista da pesquisa enfatizou que outras oito atividades também registraram aumento. Apenas o setor de outros serviços não apresentou crescimento significativo.
Maior parte dos empregos é informal
Quem puxou a alta na ocupação foi o mercado informal. Dos 3,9 milhões de trabalhadores que conseguiram se ocupar durante esse período, 2,4 milhões são informais, o que corresponde a 62,5% desse contingente.
“Os trabalhadores informais foram os mais afetados no começo da pandemia e também foram os que mais cedo retornaram a esse mercado", afirma a analista da pesquisa.
Com isso, a taxa de informalidade chegou a 39,1% da população ocupada — o que representa 33,5 milhões de trabalhadores informais no país. No trimestre encerrado em agosto, essa a taxa era de 38%.















