
Fala, meu jovem! No mês passado eu te falei da rotina que cabe com folga na sua vida, aquela que você consegue repetir todo dia. Hoje quero falar do dia em que essa rotina precisa mudar, que é o dia em que sai o edital.
Vou te falar um erro que você está proibido de cometer: tratar o pré-edital como se já fosse pós-edital. Estudar no talo, se cansar, se frustrar e desistir. Aí quando sai o edital que poderia ser a oportunidade de sua vida, você não suportar mais correr.
Então vamos separar as duas fases, porque elas servem pra coisas diferentes.
Pré-edital x pós-edital: diferença nos estudos
O pré-edital serve para formar base, pensar no longo prazo e se manter constante. Eu estudava a base da área administrativa o tempo todo, sem edital nenhum na mesa. Por isso, quando o edital saía, eu não começava do zero.
O pós-edital serve para fechar as lacunas de conhecimentos ou gaps, bater o edital inteiro e resolver o máximo de questões que você conseguir. Tem data para acabar, e é isso que autoriza o aperto.
Como eu decidia se encarava um pós-edital
Vários concursos eu fiz, e todos eu peguei em pós-edital. Mas eu não entrava por entrar.
Quando saía o edital, eu sentava e avaliava: se tivesse duas ou três disciplinas novas, fora o que eu já vinha estudando, eu encarava. Se fosse muito mais que isso, eu não entrava, porque não ia dar tempo de fazer direito.
Nunca encarei um pós-edital para ver no que ia dar.
O que mudou no meu estudo após o edital
No concurso Câmara eu tive uns três meses. No pré eu fazia umas duas horas por dia. No pós, de quatro a seis, no máximo.
Só que o que mudou não foi só o número de horas, foi o desenho do estudo.
- Licitação, que era ultra importante naquela prova, eu via todos os dias.
- As disciplinas mais importantes, três vezes na semana.
- As comuns, duas.
- RLM eu tirei do ciclo e deixei só uma bateria de questões por semana (porque eu tinha facilidade e precisava abrir espaço para as três disciplinas novas).
- Como a prova tinha discursiva, eu incluí revisão teórica, que no pré eu não fazia.
Cortei o que dava para cortar: parei de sair, reduzi a academia pela metade, diminuí o tempo com a família e com os amigos.
Mantive o trabalho, que era o meu sustento, e mantive alguma atividade física, para cabeça continuar funcionando.
Pós-edital é guerra, e guerra tem prazo. É por isso que você aguenta.
Uma coisa aí eu não recomendo: eu tentei passar do meu limite diário e "ganhei" algumas mazelas.
Não vale. Chegar quebrado na prova não te ajuda em nada.
Questões e revisões devem ganhar espaço no pós-edital
Agora, se você me perguntar o que mais importa dentro de um pós-edital, eu te respondo sem pensar: questões.
E, dentro das questões, rever as que você errou.
Questões erradas são o coração do seu estudo, seu trabalho tem que ser fechar lacunas de conhecimento.
Não é opinião solta minha: a maior revisão já feita sobre técnicas de estudo, publicada por Dunlosky, colocou resolver questões e espaçar as revisões como as duas técnicas de maior utilidade comprovada, acima de reler e de grifar.
A revisão, aliás, tem que ser proposital. Eu revisava para fechar um gap que eu já sabia que existia. Revisar por revisar, não.
E a lei seca?
Eu usava em duas situações:
- Para dinamizar o estudo, quando eu já tinha feito todas as questões possíveis daquele ponto;
- Quando eu não tinha material nenhum daquela matéria.
Porque normalmente é o material que consolida doutrina e jurisprudência pra você.
Se você não tem, vai ter que garimpar isso nas questões.
Então anota, meu caro: no pré-edital a sua rotina precisa ser sustentável, porque ela pode durar anos. No pós, ela aperta, porque ela tem data pra acabar. Se você inverte essas duas coisas chega no edital dos sonhos sem base e sem energia. Beleza?
Estuda que passa.









