A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) encaminhou ao Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) um pedido de autorização para realizar um novo concurso Funai para provimento em 2027.
A solicitação prevê o preenchimento de 2.568 vagas efetivas, distribuídas entre os cargos de técnico em indigenismo e especialista em indigenismo.
O ofício foi enviado ao MGI na última sexta-feira, dia 29, e integra o processo de elaboração do Orçamento Federal para o próximo ano.
Segundo a documentação obtida pela reportagem, a Funai pede autorização para o provimento de:
- 1.467 vagas de especialista em indigenismo, carreira de nível superior; e
- 1.101 vagas de técnico em indigenismo, destinada ao nível médio.
O pedido foi formalizado pelo Ministério dos Povos Indígenas e encaminhado à ministra da Gestão, Esther Dweck.
Em despacho publicado nesta segunda-feira, 1º de junho, o processo já foi enviado às áreas técnicas do MGI para análise e providências cabíveis.
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Novo concurso Funai é solicitado com mais de 2,5 mil vagas em dois cargos
(Foto: Divulgação)
Pedido supera em mais de três vezes a solicitação anterior
O quantitativo solicitado para o novo concurso é significativamente superior ao apresentado pela Funai no ano passado.
Em 2025, a fundação encaminhou ao Governo Federal um pedido com 801 vagas efetivas, sendo 495 para técnico em indigenismo e 306 para especialista em indigenismo.
Agora, a demanda foi ampliada para 2.568 vagas. De acordo com a nota técnica elaborada pela comissão responsável pelos estudos, a medida busca recompor a força de trabalho da fundação diante do crescimento das atribuições institucionais e da ampliação da estrutura administrativa do órgão.
A Funai informa que, atualmente, possui 2.174 agentes públicos em exercício, mas apenas 1.634 pertencem ao quadro próprio da fundação. Além disso, a entidade destaca que registrou 258 desligamentos entre 2023 e 2026, somando exonerações e aposentadorias.
Outro fator apontado é a reestruturação promovida em 2025, que ampliou em cerca de 30% a estrutura organizacional da fundação, elevando o número de unidades administrativas espalhadas pelo país para 883.
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Funai cita crescimento da população indígena e déficit de pessoal
Na justificativa apresentada ao MGI, a fundação argumenta que a recomposição do quadro de servidores é fundamental para garantir a execução das políticas públicas voltadas aos povos indígenas.
O documento destaca que a população indígena brasileira alcançou 1,69 milhão de pessoas no Censo de 2022, crescimento próximo de 90% em comparação com 2010. Segundo a Funai, esse novo cenário amplia a demanda por serviços e ações institucionais em diferentes regiões do país.
A fundação também ressalta que atua em áreas estratégicas como proteção territorial, regularização fundiária, fiscalização de terras indígenas, proteção de povos isolados, desenvolvimento sustentável e monitoramento de políticas públicas voltadas às comunidades indígenas.
Caso o pedido seja autorizado, a expectativa apresentada pela própria Funai é formar comissão organizadora, contratar a banca e publicar o edital ao longo do primeiro semestre de 2027.
As provas e a homologação também estão previstas para o mesmo ano.
Confira as atribuições dos cargos solicitados pela Funai:

Funai ofertou 502 vagas efetivas no CNU 2024
A última seleção efetiva da Funai ocorreu por meio da primeira edição do Concurso Nacional Unificado (CNU), realizada em 2024.
Na ocasião, foram ofertadas 502 vagas, sendo 152 para agente em indigenismo (atual técnico) e 350 para cargos de nível superior em diferentes especialidades, incluindo indigenista especializado, administrador, antropólogo, assistente social, engenheiro, psicólogo, sociólogo e outras áreas.
O concurso teve provas aplicadas em agosto de 2024 e resultados divulgados no início de 2025.
Mesmo após as nomeações do CNU, a fundação afirma que a recomposição do quadro de pessoal ainda é insuficiente diante da estrutura atual e das demandas institucionais do órgão.
Veja abaixo os cargos que foram contemplados no concurso:
Nível médio
- agente em indigenismo: 152 vagas.
Nível superior
- administrador: 26 vagas;
- antropólogo: 19 vagas;
- arquiteto: 1 vaga;
- arquivista: 1 vaga;
- assistente social: 21 vagas;
- bibliotecário: 6 vagas;
- contador: 12 vagas;
- economista: 24 vagas;
- engenheiro: 20 vagas;
- engenheiro agrônomo: 31 vagas;
- engenheiro florestal: 2 vagas;
- estatístico: 1 vaga;
- geógrafo: 4 vagas;
- indigenista especializado: 152 vagas;
- psicólogo: 6 vagas;
- sociólogo: 12 vagas;
- técnico em Assuntos Educacionais: 2 vagas; e
- técnico em Comunicação Social: 10 vagas.








