Com um novo concurso IBGE em preparação com 27 mil vagas temporárias para recenseador do Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola de 2027, muitos enxergam na função uma oportunidade de trabalho e renda. O que poucos sabem é que nomes famosos já passaram pela mesma experiência.
Ao longo das últimas décadas, personalidades como Ana Maria Braga, Pedro Bial e André Jung tiveram trajetórias ligadas ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.
Para eles, a atuação como recenseador deixou aprendizados que marcaram suas carreiras e suas vidas. A seguir, veja os relatos de cada um.
Ana Maria Braga
Ana Maria Braga, apresentadora do programa Mais Você, na TV Globo, participou do Censo de 1970 enquanto se preparava para o vestibular. Sem recursos financeiros na época, ela encontrou no trabalho como recenseadora do IBGE uma forma de custear os estudos.
Ela recordou que percorria as ruas de São José do Rio Preto, no interior de São Paulo, visitando casas e preenchendo questionários em papel.
"A gente batia de casa em casa. Naquela época, não tinha essa coisa de você receber mapa pronto pelo Google. Então, eles davam uma área, como se fossem aqueles mapas de cidade com rua, e aí você tinha que seguir com chuva, com sol, com calor", relembrou a apresentadora.
Ao realizar a pesquisa, era preciso perguntar o número de pessoas da casa, a idade, a profissão, a escolaridade, entre outros dados.
"Tinha que perguntar quantas geladeiras, se tinha geladeira, se tinha fogão, se tinha telefone, se tinha carro. Enfim, era um questionário bem complexo, e era tudo no papel, e você preenchia na mão tudo aquilo."
Segundo Ana Maria, a remuneração recebida foi fundamental para manter a preparação para a universidade.
"Eu sei que ganhei naquela época uma grana que me ajudou muito no meu pré-vestibular. Trabalhei muito, mas valeu muito."
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Pedro Bial
Outra personalidade que integrou a equipe do IBGE foi o jornalista Pedro Bial. Aos 22 anos, ele trabalhou no Censo Demográfico de 1980, percorrendo milhares de apartamentos em Copacabana, na Zona Sul do Rio de Janeiro.
"Ia batendo de porta em porta, entrando, vendo as mais diferentes configurações familiares, gente, pessoas, famílias, níveis de renda. E eu me envolvia, já com meu jeitinho de repórter, cumpria o formulário, mas ficava observando. Aquilo foi um filme, mais do que um filme, uma série, e que me preparou para a vida, para o Brasil, para a profissão de repórter", contou.
Para Bial, a experiência foi muito além da coleta de dados. O apresentador afirma que o contato com diferentes famílias e realidades sociais contribuiu para sua formação como repórter e cidadão.
"A experiência do recenseador é não só a experiência de estar contribuindo para o projeto Brasil, para algo grande, coletivo, para uma ideia de sociedade; como também, pessoalmente, individualmente, cada uma daquelas pessoas com quem tive contato, em cujas casas entrei, me moldaram não só como cidadão, mas também existencialmente, para a minha sensibilidade para com o outro, para as diferenças."
André Jung
No meio musical, André Jung, ex-baterista das bandas Titãs e Ira!, também trabalhou como recenseador no Censo de 1980. Na época, ele cursava Jornalismo e buscava recursos para comprar instrumentos musicais.
"Então me inscrevi na seleção, fiz o exame, passei, fui para o treinamento e comecei a trabalhar, aplicando os questionários em domicílios do bairro de Sumarezinho, em São Paulo. Foi uma experiência incrível, que eu guardo com muito carinho. Tenho muito orgulho de ter atuado numa coisa tão importante para a nação quanto um recenseamento", descreveu o músico.
Com o pagamento recebido, conseguiu comprar as congas (instrumentos musicais de percussão) que utilizaria no início da carreira artística.
"Com o meu trabalho no Censo, consegui o dinheiro para as minhas congas! Elas já estavam sendo fabricadas, porque eram feitas sob encomenda por um artesão. E eu fui buscá-las assim que recebi o dinheiro. Essas congas acompanharam a minha carreira. Em abril de 1981, comecei a tocar no Titãs e gravei o primeiro disco deles. Eu era o baterista da banda, mas toquei percussão em muitas músicas. E na faixa 'Querem Meu Sangue', que o Nando Reis canta, eu toquei um trechinho solo com as congas."
Entenda o que faz o recenseador do IBGE e como ingressar na função
Os relatos mostram que a atuação no IBGE foi, para muitos, mais do que um trabalho temporário. Além da renda, a experiência proporcionou contato direto com diferentes realidades do país e contribuiu para o desenvolvimento pessoal e profissional.
O recenseador é o profissional responsável por visitar propriedades rurais e domicílios durante os Censos, entrevistar moradores ou produtores e registrar informações que servirão de base para as pesquisas realizadas pelo IBGE.
No Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola, por exemplo, o trabalho reúne dados sobre produção agrícola, pecuária, pesca, aquicultura e uso da terra.

As informações coletadas orientam políticas públicas, investimentos e estudos sobre a economia e o desenvolvimento do país. Por isso, o recenseador desempenha um papel estratégico na produção das estatísticas oficiais brasileiras.
O ingresso na função costuma ocorrer por meio do concurso IBGE. Os candidatos passam por etapas como inscrição, prova objetiva e treinamento, sendo contratados temporariamente para atuar durante o período de coleta de dados do Censo.
Novo concurso IBGE para recenseador terá edital em 2026
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística prepara, para este ano, um novo concurso IBGE com 27 mil vagas temporárias para recenseador.
Em entrevista exclusiva no início de julho, o coordenador de Recursos Humanos do IBGE, Bruno Malheiros, informou ao Qconcursos Folha Dirigida que o cargo terá um novo requisito de escolaridade.
O recenseador, no próximo concurso, deixará de exigir o ensino fundamental, como ocorreu no último Censo Demográfico, e passará a cobrar o ensino médio completo dos candidatos.
"O recenseador vai ser de nível médio dessa vez, diferente das vezes anteriores. Até o Censo Demográfico de 2022, a gente contratava o recenseador como nível fundamental. É possível que o Demográfico continue assim, mas, no caso do Censo Agro, existem questões muito específicas, muito detalhadas. É preciso ter um nível de conhecimento maior, então a exigência vai ser de nível médio", explicou.
Outra novidade é que os recenseadores terão direito a uma remuneração fixa mais uma parcela variável, conforme as entregas.
Até o Censo Demográfico de 2022, o valor era somente variável, composto pela produtividade do profissional.
A partir de agosto, o IBGE iniciará a escolha da banca organizadora do concurso, que ficará responsável pela aplicação das provas. A estimativa é que o edital seja publicado entre setembro e outrubro.












