Os concursos policiais têm papel importante na recomposição dos efetivos das forças estaduais de Segurança Pública. Estudo mostra que há mais de 336 mil cargos vagos para preenchimento na Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Penal.
Os dados são do Raio-X das Forças de Segurança Pública do Brasil, divulgado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública no início de agosto. O levantamento considera dados de 2025 das corporações dos estados e do Distrito Federal.
A análise, contudo, faz uma ressalva: o número previsto em lei não representa necessariamente o efetivo ideal para cada corporação.
Segundo o estudo, não existe uma proporção universal de policiais por habitante. O dimensionamento deve considerar fatores como demanda, território, turnos, logística e estrutura de apoio.
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Polícia Militar tem déficit de mais de 215 mil cargos
As Polícias Militares concentram o maior efetivo entre as forças estaduais, com 413.319 policiais em atividade em 2025.
O número, porém, fica abaixo dos 628.732 cargos previstos em lei para as corporações. A taxa nacional de ocupação é de 65,7%, o que significa que pouco mais de dois terços do efetivo legalmente previsto se encontra preenchido.
Com isso, a diferença entre o efetivo previsto e o existente chega a 215.413 cargos nas Polícias Militares.
Os maiores percentuais de defasagem aparecem em Tocantins, Goiás e Amapá. No Tocantins, apenas 34,9% do efetivo previsto estava preenchido, no ano passado.
Goiás tinha 37,4%, enquanto o Amapá registrava 45,2%. Veja os números de todo o país na tabela abaixo:

O estudo também mostra que a relação entre efetivo previsto e existente não conta toda a realidade operacional.
O Amapá, por exemplo, tinha apenas 45,2% do efetivo previsto, mas apresentava a maior taxa de policiais militares por habitante, com 4,4 PMs para cada mil habitantes.
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Polícia Civil opera com 55,2% do efetivo previsto
Nas Polícias Civis, a defasagem também é expressiva. O país tinha 96.902 policiais civis ativos em 2025.
Por outro lado, o efetivo previsto para as corporações estaduais era de 175.477 cargos. A taxa de ocupação era de apenas 55,2%.
A diferença representa um déficit de 78.575 cargos vagos nas Polícias Civis, gerando a necessidade por novos concursos públicos.
O levantamento aponta que a falta de profissionais pode contribuir para o acúmulo de inquéritos e a sobrecarga das equipes que permanecem em atividade.
O relatório destaca ainda que as Polícias Civis acumulam funções de investigação criminal e atendimento ao público, sem parâmetros nacionais para dimensionar a demanda de cada atividade.
A ocupação de pessoal varia bastante entre as unidades da Federação. Rondônia apresenta o menor percentual de ocupação, com apenas 28,1% do efetivo previsto em atividade.
Na sequência aparecem Rio de Janeiro, com 34,2%, e Paraíba, com 34,4%.
Outros seis estados também tinham menos da metade do efetivo previsto: Rio Grande do Norte, Pernambuco, Alagoas, Roraima, Tocantins e Piauí.
Por outro lado, o Amapá tinha 98,4% do efetivo previsto, enquanto Sergipe alcançava 92%. Confira os números na tabela abaixo:

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Polícia Penal tem déficit superior a 42 mil cargos
A terceira frente analisada pelo estudo é a Polícia Penal. Em março de 2025, as corporações reuniram 91.850 policiais penais em atividade no país, uma queda de 3% em relação ao levantamento anterior.
O efetivo previsto somava 134.164 cargos, o que resulta em um déficit de 42.314 profissionais. A taxa nacional de ocupação era de 68,5%, segundo o relatório.
O cenário preocupa porque a redução do efetivo ocorre em um contexto de crescimento da população privada de liberdade, segundo a análise apresentada no capítulo.
Entre os estados, o Paraná apresentava a menor taxa de ocupação, com apenas 26,2% do efetivo previsto, no ano passado.
Na sequência estavam Piauí, com 39,2%, e Rio Grande do Sul, com 41,8%. Goiás também tinha menos da metade do quadro previsto, com 46,9%.
Na tabela abaixo, veja a situação de cada unidade da Federação, em 2025, de acordo com o levantamento:

Concursos Policiais podem recompor os quadros?
Os dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública ajudam a dimensionar o espaço existente entre os quadros previstos e os efetivos atuais.
Somadas as diferenças entre efetivos previstos e existentes nas Polícias Militar, Civil e Penal, chega-se a mais de 336 mil cargos não ocupados.
O número evidencia uma grande distância entre os quadros estabelecidos pelas legislações estaduais e a quantidade de profissionais atualmente em atividade.
O diagnóstico coloca a recomposição dos efetivos entre os principais desafios da Segurança Pública estadual e mantém os concursos policiais no radar.
O relatório, porém, pondera que ampliar os efetivos não deve ser a única resposta para os problemas das polícias estaduais.
O Raio-X aponta que os estados enfrentam limitações fiscais, despesas previdenciárias elevadas e restrições orçamentárias para ampliar significativamente os quadros.
Uma alternativa apontada é revisar a distribuição dos profissionais já existentes. O relatório cita a presença de policiais em atividades administrativas, cessões e funções burocráticas que poderiam ser desempenhadas por servidores civis especializados.





