O futuro do Banco do Brasil entrou no debate das Eleições 2026, após o primeiro turno presidencial, realizado no último domingo, 4 de outubro.
Com a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno, representantes dos bancários manifestaram preocupação com possíveis mudanças na gestão dos bancos públicos.
Na quarta-feira, 7, o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região reuniu lideranças da categoria para avaliar o resultado das eleições e seus possíveis impactos sobre os trabalhadores.
Entre os principais assuntos esteve a defesa do caráter público do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal.
A manifestação ocorre em meio ao debate sobre privatizações levantado pela equipe econômica de Flávio Bolsonaro. Em setembro, a economista Daniella Marques admitiu que o BB poderia ser considerado em um eventual programa de desestatização.
Nesta quinta-feira, 8, porém, o coordenador econômico da campanha, Adolfo Sachsida, descartou a privatização do Banco do Brasil, da Caixa e da Petrobras em um eventual governo do candidato.
Além da discussão eleitoral, os representantes dos funcionários mantêm a cobrança pela recomposição do quadro de pessoal, uma reivindicação que também envolve a expectativa por um novo concurso Banco do Brasil.
Sindicato alerta para futuro do Banco do Brasil após eleições
A reunião promovida pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo ocorreu na quarta-feira, 7, três dias após o primeiro turno das eleições.
Participaram do encontro a presidenta da entidade, Neiva Ribeiro; a presidenta da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Juvandia Moreira; e o deputado estadual reeleito Luiz Claudio Marcolino (PT-SP).
Durante a avaliação do cenário político, as lideranças destacaram a preocupação com eventuais propostas de privatização de bancos públicos.
Neiva Ribeiro afirmou que a categoria já discutiu o assunto durante a Conferência Nacional dos Bancários de 2026 e em encontros específicos dos funcionários do Banco do Brasil e da Caixa.
"Os bancários não apoiarão candidato que defende privatizar banco público. Eles sabem o que isso significa", declarou a presidenta do sindicato.
A representante da Contraf-CUT, Juvandia Moreira, também abordou os possíveis efeitos de uma privatização sobre as relações de trabalho.
Segundo ela, a mudança poderia provocar enfraquecimento dos acordos coletivos, redução de direitos e diminuição da estrutura das instituições.
A dirigente também relacionou a manutenção dos bancos públicos à oferta de crédito, à prestação de serviços bancários e ao desenvolvimento econômico e social do país.
As manifestações representam o posicionamento das entidades sindicais diante do cenário eleitoral. Até o momento, não há decisão anunciada de privatização do Banco do Brasil.

Privatização do Banco do Brasil é citada na campanha de Flávio
Nesta quinta-feira, 8 de outubro, Adolfo Sachsida, coordenador da área econômica da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, afirmou que um eventual governo do candidato não privatizará o Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal e a Petrobras.
Em vídeo publicado na rede social X, Sachsida procurou esclarecer as propostas econômicas da candidatura e afastou a possibilidade de venda dessas instituições.
"Se você que está ouvindo esse vídeo é do Banco do Brasil, da Caixa Econômica e da Petrobras, saiba de uma coisa: não existirão privatizações de empresas. Nenhuma dessas empresas será tocada", afirmou.
O economista também declarou que o ajuste fiscal defendido pela campanha deverá se concentrar na redução de despesas consideradas excessivas, incluindo a estrutura ministerial e determinadas remunerações no setor público.
A manifestação representa uma sinalização mais recente da campanha sobre o futuro das três empresas.
A declaração, no entanto, ocorre após outra integrante da equipe econômica ter incluído o Banco do Brasil entre as instituições que poderiam ser avaliadas em um eventual programa de privatizações.
Em 14 de setembro, durante evento do Grupo Esfera, a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa, afirmou que mais de 20 estatais poderiam ser consideradas em uma política de desestatização.
Na ocasião, ela mencionou o Banco do Brasil como uma possibilidade, enquanto defendeu a preservação da Caixa Econômica Federal, devido ao papel social desempenhado pela instituição.
As duas declarações apresentam diferenças sobre o alcance de um eventual programa de privatizações. Enquanto Daniella Marques admitiu a possibilidade de incluir o BB em uma avaliação, Sachsida descartou expressamente a venda do banco.
Não houve, porém, anúncio de qualquer medida concreta para privatizar a instituição.
Funcionários do BB também cobram recomposição do quadro
Antes mesmo do primeiro turno das eleições, a Comissão de Empresa dos Funcionários do Banco do Brasil (CEBB) havia divulgado uma carta aberta à população brasileira em defesa do caráter público da instituição.
Publicado em 1º de outubro, o documento destaca o papel do BB no financiamento da agricultura, no apoio aos pequenos negócios e na prestação de serviços bancários em diferentes regiões do país.
A comissão também critica o fechamento de agências e defende que o avanço tecnológico seja acompanhado pela manutenção do atendimento presencial, especialmente em localidades onde a presença bancária é limitada.
Além dessas questões, a carta reforça uma reivindicação apresentada ao longo de 2026: a necessidade de ampliar o quadro de funcionários.
"Exigimos a recomposição do quadro de pessoal, porque ninguém sustenta por muito tempo o trabalho de três", afirma a comissão.
A representação dos trabalhadores relaciona a falta de pessoal à sobrecarga nas unidades, às condições de trabalho e à pressão pelo cumprimento de metas.
A cobrança não é recente. Durante a Campanha Nacional dos Bancários de 2026, as entidades já haviam solicitado que o Banco do Brasil assumisse um compromisso com novas contratações.
Em agosto, a categoria chegou a pressionar o BB para incluir um novo concurso no planejamento de 2027.
Na ocasião, a CEBB pediu que a instituição encaminhasse à Secretaria de Coordenação e Governança das Empresas Estatais (Sest) uma proposta para a realização da seleção no próximo ano.
A mobilização continuou em setembro, quando uma paralisação parcial dos funcionários aumentou a pressão sobre o Banco do Brasil por avanços nas negociações coletivas.
Embora a paralisação não tivesse o concurso como pauta exclusiva, a recomposição do quadro estava entre as reivindicações apresentadas pela categoria.









