Concursos Federais: privatização das estatais levanta debate

Propostas dos dois principais candidatos à Presidência sobre privatização são divergentes e levantam debate. Confira!

Política e Concursos
Autor:Redação Folha Dirigida
Publicado em:16/09/2026 às 16:55
Atualizado em:16/09/2026 às 16:58

Às vésperas das Eleições 2026, os dois candidatos que lideram as pesquisas têm propostas diferentes sobre privatização de estatais. Segundo levantamento da Quaest, divulgado na segunda-feira, dia 14, Lula (PT) tem 36% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL) tem 31%.


Nas últimas semanas, a equipe econômica do candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, levantou a possibilidade de privatizar estatais.


A coordenadora do programa econômico e ex-presidente da Caixa Econômica Federal, Daniella Marques, defendeu a revisão das empresas públicas pelo Governo Federal.


Para Daniella, é necessário fazer uma análise individual das estatais para definir quais devem ser mantidas, reestruturadas ou liquidadas.

Esplanada dos Ministérios, em Brasília
Privatização de empresas públicos está no centro do debate (Foto: Agência Brasília)


Ela já anunciou que o Centro Nacional de Tecnologia Eletrônica Avançada (CEITEC) deve ser uma das primeiras companhias a ser descontinuada.


A empresa pública atua no desenvolvimento, projeto e fabricação de circuitos integrados e dispositivos semicondutores, com capacidade de produção de microchips voltados à identificação animal.


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Mais contingente trabalhista do que receita

Daniella Marques pontuou que a CEITEC é um exemplo de ativo sem sentido econômico e disse que a companhia tem "mais contingente trabalhista do que receita".

“Algumas têm que ser liquidadas, como foi o caso da CEITEC. Não faz sentido o Estado ter uma estatal de chip do boi ou ter uma TV estatal ou outras coisas que fazem sentido ou não", frisou, durante evento com empresários na capital paulista.

Em 2020, no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro, a CEITEC foi incluída no Programa Nacional de Desestatização.


O processo, contudo, foi interrompido com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que retirou a estatal do programa de privatização.


Segundo Daniella Marques, mais de 20 empresas públicas podem entrar em um futuro projeto de desestatização, inclusive, o Banco do Brasil.


A Caixa Econômica Federal, porém, ficará de fora. Se o candidato Flávio Bolsonaro vencer as eleições, o banco deverá ser usado não apenas para oferecer crédito, mas também para a orientação financeira e capacitação profissional.

“A Caixa, principalmente, tem um papel muito importante no plano. A gente quer a Caixa como um braço na ponta, levando não só soluções de crédito, mas orientação financeira e capacitação para que o brasileiro possa crescer junto com o Brasil", afirmou Daniella.

Leia também: Eleições 2026 e concursos: veja o que dizem os presidenciáveis

Ministra Esther Dweck defende manutenção das estatais

Em contraponto, a atual ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, reforça o trabalho voltado ao serviço público.


Em dezembro de 2025, em evento no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), ela rebateu críticas contra as empresas públicas e disse que, em alguns casos, a privatização representa piora nos serviços prestados à população.

“As estatais não são peso na sociedade brasileira. Mas o contrário, são patrimônio do povo brasileiro e um ativo para o desenvolvimento sustentável com responsabilidade econômica, ambiental e social”, garantiu Dweck.

De acordo com a ministra, as estatais são importantes para construir infraestrutura, gerar empregos, sustentar capacidade estratégica, soberania, pesquisa e inovação, entre outras funções.

“Sem elas, muitos direitos e serviços e oportunidades simplesmente não existiriam”, disse.

Em 2023, ao assumir a Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva retirou dez empresas públicas federais do programa de privatização.


Estavam na lista estatais como os Correios, Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), Serpro, Dataprev, CEITEC, Nuclep e Agência Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias S.A. (ABGF).


Muitas delas, inclusive, realizaram concursos públicos após a saída do programa, como Correios, Dataprev e ABGF.

Lula descarta privatização dos Correios

Outra empresa que está no centro do debate atual é a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que enfrenta uma grave crise financeira.


Em entrevista ao Jornal Nacional, da TV Globo, no dia 27 de agosto, o candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva, descartou a privatização dos Correios.


Questionado sobre os resultados negativos da empresa e uma eventual privatização, o presidente afirmou que pretende manter os Correios sob controle estatal.

"Não considero vender os Correios, não considero. Quero recuperar os Correios", afirmou Lula.

O presidente também garantiu que a empresa poderá superar a atual situação financeira e voltar a prestar serviços com qualidade. Ao mesmo tempo, reconheceu problemas na gestão e na adaptação da estatal às mudanças no mercado de entregas.


Apesar de abordar a necessidade de mudanças nos Correios, Lula não tratou, durante esse trecho da entrevista, da contratação de pessoal nem apresentou previsão para a convocação dos aprovados nos concursos em andamento.

Como ficam os concursos públicos em processos de privatização?

A privatização de uma empresa pública ou sociedade de economia mista pode alterar a forma de contratação de novos trabalhadores. Isso ocorre porque, após a transferência do controle para a iniciativa privada, a empresa deixa de integrar a Administração Pública nos mesmos moldes anteriores.


Enquanto a empresa permanece sob controle estatal, a contratação de empregados costuma ocorrer por meio de concurso público, conforme as regras aplicáveis à entidade.


Após a privatização, as futuras contratações passam a seguir, em regra, as normas trabalhistas e os processos seletivos definidos pela empresa privada.


Isso não significa, porém, que a privatização cancele automaticamente um concurso que já tenha sido realizado.


A situação dos aprovados depende do estágio do concurso, do prazo de validade, dos atos já praticados pela empresa e das condições estabelecidas no processo de desestatização.


Para quem acompanha concursos de estatais, é importante verificar os atos oficiais publicados pela própria empresa e pelos órgãos responsáveis pelo processo.

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