Após a negativa do Ministério da Gestão e da Inovação (MGI) ao pedido de convocação de 1.456 excedentes, a Polícia Federal voltou a se movimentar e reforçou a necessidade de ampliação do número de nomeações do atual concurso PF.
Em novo posicionamento encaminhado ao governo, a corporação solicitou o aproveitamento de até 1.508 candidatos aprovados além das vagas inicialmente autorizadas. O quantitativo, segundo a PF, corresponde ao número atual de cargos vagos na carreira Policial.
A manifestação consta em ofício enviado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, que posteriormente foi encaminhado ao MGI para nova análise.
No documento, a Polícia Federal argumenta que há candidatos suficientes para suprir todas as vacâncias dentro do prazo de validade do concurso em andamento.
Segundo a corporação, o concurso vigente conta com 2.615 aprovados, número que permitiria o preenchimento integral dos cargos vagos, sem a necessidade de um novo concurso no curto prazo.
A proposta da PF é autorizar o aproveitamento de 100% dos aprovados, ainda que fora do número de vagas previsto inicialmente no edital, respeitando o limite das vagas disponíveis.
"Sob a ótica institucional e operacional, o provimento integral das vagas revela-se medida necessária e urgente, considerando a redução contínua do efetivo policial, em contraste com o aumento populacional e da demanda por serviços públicos federais, bem como a expansão das atribuições da Polícia Federal, incluindo novas competências (como a fiscalização de CACs), a criação de unidades descentralizadas e a ampliação da nossa presença em áreas estratégicas", diz o ofício da PF.
Déficit de pessoal embasa novo pedido
A Polícia Federal também reforçou, no ofício, que o cenário atual de vacâncias justifica a ampliação das convocações.
De acordo com dados apresentados no documento, o concurso foi planejado, em 2024, para suprir 1.810 cargos vagos. No entanto, em março de 2026, esse número já havia saltado para 2.508 vacâncias, impulsionado principalmente por aposentadorias e desligamentos.
O aumento do déficit, segundo a corporação, compromete a capacidade operacional e exige medidas mais amplas de recomposição do efetivo.

Após negativa do MGI sobre excedentes do concurso, PF envia nova solicitação
(Foto: Governo Federal)
Para contornar a limitação orçamentária apontada pelo governo, a PF propõe que parte das nomeações seja realizada de forma escalonada.
De acordo com o documento, a formação de novas turmas poderia ocorrer também em 2027, sem impacto direto na Lei Orçamentária de 2026, uma vez que o curso de formação é a última etapa do concurso.
A medida permitiria aproveitar melhor a estrutura já existente da Academia Nacional de Polícia, além de evitar a necessidade de um novo concurso em curto prazo.
Pedido ainda depende de novo aval do governo
Apesar da nova manifestação, a ampliação das convocações ainda depende de autorização do governo federal.
O pedido anterior foi sido negado pelo MGI com base nas limitações previstas na Lei Orçamentária Anual de 2026, que contempla apenas mil nomeações adicionais além das vagas imediatas.
Agora, com o reforço técnico apresentado pela corporação, o processo retorna para análise dos ministérios envolvidos, podendo ou não avançar conforme a disponibilidade orçamentária e decisão do Executivo.
Conforme constava na minuta de decreto elaborada pela corporação, as vagas seriam distribuídas entre todos os cargos da área Policial, com destaque para o posto de agente, que concentraria a maior parte das convocações.
Confira a divisão estava prevista no primeiro pedido feito pela Polícia Federal, com 1.456 excedentes:
- Agente de Polícia Federal: 863 vagas;
- Escrivão de Polícia Federal: 307 vagas;
- Delegado de Polícia Federal: 237 vagas;
- Perito Criminal Federal: 32 vagas;
- Papiloscopista Policial Federal: 17 vagas
O pedido, no entanto, ultrapassava o limite legal de nomeações adicionais permitido automaticamente em concursos públicos. Por isso, dependia da edição de um decreto presidencial para ser viabilizado.
Até o momento, segue mantido o planejamento inicial do concurso PF, com mil vagas imediatas e previsão de mais mil convocações ao longo de 2026.
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Concurso PF: confira a distribuição das mil vagas
Divulgado em maio do ano passado, o edital do concurso da Polícia Federal oferece mil vagas nos cinco cargos da área Policial, sendo todas para preenchimento imediato.
Confira como estão distribuídas as oportunidades pelos cargos:
- agente de polícia: 630 vagas;
- escrivão de polícia: 160 vagas;
- delegado de polícia: 120 vagas;
- papiloscopista: 21 vagas;
- perito criminal federal - área 1: Contábil Financeira: 16 vagas;
- perito criminal federal - área 2: Engenharia Elétrica/Eletrônica: 1 vaga;
- perito criminal federal - área 3: Informática Forense: 24 vagas;
- perito criminal federal - área 5: Geologia Forense: 5 vagas;
- perito criminal federal - área 7: Engenharia Civil: 2 vagas;
- perito criminal federal - área 11: Engenharia Cartográfica: 1 vaga;
- perito criminal federal - área 12: Medicina Legal: 1 vaga;
- perito criminal federal - área 16: Física Forense: 1 vaga;
- perito criminal federal - área 17: Engenharia de Minas: 1 vaga;
- perito criminal federal - área 19: Genética Forense: 1 vaga;
- perito criminal federal - área 20: Engenharia Ambiental: 1 vaga;
- perito criminal federal - área 21: Antropologia Forense: 1 vaga;
- perito criminal federal - área 22: Meio Ambiente: 14 vagas.
Para qualquer um dos cargos, é necessário possuir diploma de ensino superior e Carteira Nacional de Habilitação (CNH), no mínimo na categoria "B".
Nos casos de agente, escrivão e papiloscopista, são aceitos diplomas em qualquer curso de graduação.
Já para o cargo de delegado, o requisito é a formação em Direito, além da comprovação de, no mínimo, três anos de prática jurídica ou experiência em atividade policial.
Para o cargo de perito criminal federal, será exigida graduação em áreas específicas, conforme estabelecido no edital.
As admissões na PF ocorrerão sob o regime estatutário, o que garante estabilidade ao servidor público.
Concurso PF tem ganhos de até R$28 mil
Os cargos de agente, escrivão e papiloscopista proporcionam salários iniciais de R$15.164,81. Já as funções de delegado e perito contam com vencimentos que chegam a R$28 mil.
No entanto, a partir deste ano, as remunerações passam a contar com os seguintes valores:
- agente, escrivão e papiloscopista: R$15.710,10; e
- delegado e perito: R$28.831,70.
Os policiais federais ainda receberão diversos benefícios, entre eles, o auxílio-alimentação de R$1.175, recém-reajustado para os servidores do Executivo Federal.























