Máfia dos Concursos: MPF denuncia 10 pessoas por fraude na PF

O concurso PF é alvo de denúncia do MPF por esquema de fraude, com envio de gabaritos e apoio de especialistas para a aprovação. Entenda!

Política e Concursos
Autor:Mateus Carvalho
Publicado em:29/04/2026 às 10:07
Atualizado em:29/04/2026 às 12:34

O Ministério Público Federal (MPF) denunciou dez pessoas suspeitas de integrar um esquema criminoso conhecido como "máfia dos concursos", responsável por fraudar um concurso Polícia Federal (PF) realizado em 2025.


De acordo com as investigações, o grupo atuava de forma estruturada e com divisão de tarefas, operando em diferentes estados, como Paraíba, Pernambuco e Alagoas.


A denúncia é mais um desdobramento de uma série de operações recentes que investigam irregularidades em concursos públicos em todo o país.


Segundo o MPF, os investigados faziam parte de uma organização criminosa especializada na fraude de concursos, com funções bem definidas dentro do esquema.


Entre os papéis identificados estão gestores, intermediários, responsáveis pela resolução das provas e beneficiários das fraudes.


O grupo utilizava métodos sofisticados para garantir a aprovação de candidatos, incluindo:

  • envio de respostas durante a prova em tempo real;
  • uso de dispositivos eletrônicos ocultos;
  • captura de imagens das provas; e
  • atuação de especialistas para resolver questões.

Em alguns casos, havia até a infiltração de candidatos para fotografar os cadernos de questões e repassar o conteúdo a professores, que solucionavam as provas rapidamente. 


As investigações também apontaram que o esquema tinha como foco beneficiar candidatos específicos.


Em um dos casos, a atuação criminosa estaria direcionada ao cargo de delegado da Polícia Federal, com o objetivo de favorecer, de forma indireta, um dos denunciados.

PF mira máfia dos concursos e denuncia dez envolvidos em esquema de fraude

(Foto: Governo Federal)

Valores por aprovação podiam ultrapassar R$280 mil

A investigação também revelou que o esquema operava como um verdadeiro "negócio", com cobrança de valores elevados para garantir a aprovação.


De acordo com o MPF, os pagamentos variavam conforme o cargo pretendido, podendo ultrapassar R$280 mil por candidato.


Em investigações mais amplas, a Polícia Federal já identificou cobranças que chegavam a R$500 mil por vaga em concursos públicos de alto nível.


Além de dinheiro, o grupo aceitava outras formas de pagamento, como veículos, ouro e até serviços, evidenciando o grau de organização da estrutura criminosa.


Os denunciados poderão responder por diversos crimes, entre eles:

  • organização criminosa;
  • fraude em concurso público;
  • corrupção;
  • lavagem de dinheiro;
  • falsidade documental; e
  • obstrução de investigação.

O MPF também solicitou a revogação de benefícios de colaboração premiada concedidos a dois investigados, após o descumprimento dos acordos firmados. 

Caso é desdobramento de operações contra fraudes em concursos

A denúncia faz parte de um conjunto maior de investigações conduzidas pela Polícia Federal, que vêm identificando esquemas semelhantes em diversos concursos pelo país.


Operações recentes já apontaram a atuação de organizações criminosas em concursos de tribunais, universidades e carreiras policiais, incluindo o Concurso Nacional Unificado (CNU).


Esses grupos utilizam estratégias como:

  • venda de gabaritos;
  • acesso antecipado às provas;
  • uso de “dublês” para realização de exames; e
  • cooptação de fiscais e agentes de aplicação.

Concurso PF já teve candidatos eliminados por fraude

O impacto dessas investigações já chegou diretamente ao concurso da Polícia Federal.


Em 2025, a própria corporação eliminou candidatos por suspeita de fraude, como desdobramento de operações que apuravam irregularidades em seleções públicas.


A medida reforça o rigor no combate a práticas ilegais e tentativa de preservar a lisura dos editais.


De acordo com as autoridades, as investigações seguem em andamento e não estão descartadas novas fases ou denúncias.


O objetivo é identificar todos os envolvidos e garantir a integridade dos concursos públicos, considerados uma das principais portas de entrada para o serviço público no país.


A expectativa é que o caso avance na Justiça e contribua para o fortalecimento dos mecanismos de segurança nas seleções.

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