Um novo concurso Polícia Científica SP está autorizado para 397 vagas. A oferta reforça funções essenciais dentro do Instituto Médico-Legal (IML) e do Instituto de Criminalística, com destaque para carreiras de nível médio.
Entre os cargos mais procurados está o de auxiliar de necropsia, que tem 105 vagas autorizadas e salários iniciais de R$5.803,06.
Em entrevista ao Qconcursos Folha Dirigida, Márcio Matsubara, auxiliar de necropsia da Polícia Técnico-Científica de São Paulo, revelou como funciona a carreira na prática.
De acordo com ele, as pessoas pensam que a função fica restrita aos exames cadavéricos, mas envolve áreas distintas dentro da Ciência Forense.
“O auxiliar de necropsia pode atuar tanto nos necrotérios quanto nos laboratórios do IML: Antropologia Forense, Toxicologia Forense e Anatomopatológico", disse.
Veja as diferentes áreas de atuação do auxiliar de necropsia
Na Antropologia Forense, segundo Márcio Matsubara, o auxiliar de necropsia pode atuar na área de Identificação Humana, principalmente de restos mortais esqueletizados.
Já no Anatomopatológico, o profissional contribui para preparação dos materiais coletados na necropsia para determinação de mortes naturais (doenças) mas que deram entrada no IML como morte suspeita.
"Quando há duvidas se o óbito foi decorrente de doença (causa natural) ou causa externa/violenta (homicídio, suicídio ou acidentes)", explicou o servidor.

Márcio Matsubara, auxiliar de necropsia da Polícia Científica SP (Foto: Arquivo Pessoal)
E na Toxicologia Forense, onde Márcio atua, são feitas análises em material biológico humano (sangue, urina e vísceras) tanto de vivos quanto de mortos para identificação de substâncias químicas.
Como, por exemplo, drogas de abuso, medicamentos ou venenos relacionados a casos de homicídio, suicídio ou acidentes.
Mais de 10 anos de espera pelo novo concurso Polícia Científica SP
O concurso Polícia Científica SP também chama atenção pelo longo intervalo desde a última seleção, realizada em 2013. Márcio Matsubara foi aprovado nessa seleção.
Ele destacou o cenário atual e a importância das carreiras de apoio dentro da instituição. A oferta de 397 vagas será distribuída da seguinte forma:
- atendente de necrotério policial: 84 vagas;
- auxiliar de necropsia: 105 vagas;
- desenhista técnico-pericial: 51 vagas; e
- fotógrafo técnico-pericial: 157 vagas.
“São carreiras de apoio essenciais tanto no âmbito do Instituto de Criminalística quanto do Instituto Médico-Legal. Sou do último concurso, ou seja, há mais de 10 anos que esperávamos pela autorização. Desse modo, há uma enorme expectativa e necessidade em relação a esses novos policiais científicos”, frisou.
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Preparação para ingresso na Polícia Científica de São Paulo
A preparação para Polícia Científica SP exige foco nas disciplinas com maior peso na prova objetiva. Segundo Márcio Matsubara, algumas matérias concentram boa parte do conteúdo cobrado.
“No último concurso, disciplinas como Biologia, Língua Portuguesa e Medicina Legal representaram 54% da prova objetiva. São as matérias de melhor custo-benefício em época de pré-edital", apontou.
Em relação à Polícia Militar de São Paulo, Matsubara ressaltou que o concurso da Polícia Técnico-Científica ficou mais ágil pois conta com menos etapas atualmente. Os exames de aptidão física e psicológica não foram aplicados nos últimos concursos da instituição.
"De modo muito provável, o novo edital também seguirá essa tendência e com a provável inclusão de Direito Administrativo no rol das disciplinas cobradas.”
Rotina de estudos e importância do apoio
O servidor também relembrou que sua trajetória até a aprovação contou com o apoio de colegas e a organização de estudos, algo que ele considera decisivo para o sucesso.
“Meu edital foi publicado em 2013, mas fui empossado apenas em 2016. Os exames de aptidão física, psicológica e recursos atrasaram a nomeação", lembrou.
O interesse de Márcio na carreira começou de modo não vocacionado. Ele queria estabilidade financeira para casar e ter filhos e ficou sabendo do concurso para Polícia Científica por meio de uma amiga.
"Estava terminando meu doutorado, vivendo de bolsa de pós-graduação, e queria casar e formar família. Minha namorada (atual esposa) disse que não seria possível sem renda estável. Graças a uma amiga, fiquei sabendo do concurso e comecei a estudar.”
Ele também comparou o cenário atual com mais recursos disponíveis para os candidatos.
“As ferramentas atuais são incríveis: utilizo o banco de questões da plataforma do Qconcursos e fico imaginando como seria fantástico na minha época montar cadernos de questões personalizados, acesso a respostas comentadas, videoaulas sugeridas sobre a questão, dentre outras vantagens.”
Faça as questões das últimas provas do concurso Polícia Científica SP e teste seus conhecimentos. Acesse pelos links abaixo:
- atendente de necrotério;
- auxiliar de necropsia;
- desenhista técnico-pericial; e
- fotógrafo técnico-pericial.
Servidor conta os desafios e impacto da carreira pericial
A atuação na Polícia Científica SP exige responsabilidade e preparo emocional, de acordo com o servidor. Ele destacou que o trabalho pericial impacta diretamente a vida das pessoas envolvidas nos casos investigados.
“Acredito que os desafios são o medo e o receio de não corresponder à altura diante da responsabilidade do trabalho que executamos. Logo no início, percebemos que o trabalho pericial envolve repercussões sérias na vida, memória e dignidade do cidadão.”
O concurso Polícia Científica SP também oferece possibilidades de evolução na carreira, com progressões por classes e incentivo à formação acadêmica.
Matsubara ressaltou que a experiência profissional pode até resgatar vocações pessoais ao longo do tempo.
“Na época que tomei a decisão de prestar o concurso público, achei que estava deixando para trás minha vida acadêmica e científica. Atualmente, desenvolvo e aplico ciência pela Justiça (métodos de análise requerem experimentação, desenvolvimento e validação científica). Ou seja, prestei o concurso apenas pela estabilidade financeira e acabei reencontrando minha vocação original", detalhou.
Atualmente, ele faz pós-doutorado em Toxicologia Forense pela Universidade de São Paulo (USP), mas executa a parte prática na própria Polícia Técnico-Científica.
"A instituição tem interesse e incentiva o desenvolvimento científico dos protocolos técnicos e dos seus servidores. Além disso, os nomeados entram como policiais de 3ª classe e podem subir até a classe especial, passando pela 2ª e 1ª classe antes, por merecimento ou tempo de serviço. Há aumento do salário-base a cada progressão.”
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Possibilidade de conciliar os estudos com outros concursos
Para quem pretende conciliar a preparação para diferentes carreiras policiais, como Polícia Militar e Polícia Científica, Márcio Matsubara afirmou que isso é possível no início dos estudos, mas exige ajustes conforme o avanço do edital.
“Sempre é possível conciliar as matérias básicas no início, como Língua Portuguesa, Informática, Direito Constitucional. Mas as disciplinas específicas da Polícia Científica exigem planos de estudos que não contemplam aproveitamento em relação à PM”, orientou.
Por fim, ele deixou um recado direto aos futuros candidatos do concurso Polícia Científica SP, reforçando o impacto social da profissão e o orgulho de integrar a instituição.
“A Polícia Técnico-Científica é uma instituição da qual vocês terão muito orgulho de fazer parte. Tenho certeza que ao final de cada plantão, independente do cansaço ou dificuldades, vocês irão para casa com a sensação de que contribuíram de modo significativo para a sociedade.”









