A suspeita de fraudes em concursos SC voltou a mobilizar as autoridades em Santa Catarina.
O Ministério Público do Estado (MPSC), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), deflagrou nesta quinta-feira, dia 16, a terceira fase da Operação Electus, para investigar um suposto esquema de manipulação de concursos públicos e processos seletivos realizados no extremo Oeste do Estado.
Segundo o Ministério Público, as apurações indicam que uma empresa responsável pela organização dos concursos teria manipulado seleções realizadas nos municípios de São Bernardino e Saltinho.
O esquema beneficiou candidatos previamente escolhidos por meio da alteração de gabaritos, com indícios também da participação de servidores municipais.

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Manipulação de gabaritos em concursos
De acordo com a nota oficial do MPSC, a terceira fase da Operação Electus foi deflagrada em apoio às investigações conduzidas pela Promotoria de Justiça da Comarca de Campo Erê.
As diligências foram realizadas nos municípios de São Bernardino e São Lourenço do Oeste, onde equipes cumpriram os mandados autorizados pela Vara Regional de Garantias da Comarca de São Miguel do Oeste.
O Ministério Público aponta a existência de indicativos da participação de servidores públicos municipais nas irregularidades investigadas.
Entre as medidas cautelares determinadas pela Justiça estão:
- 18 mandados de busca e apreensão;
- suspensão do exercício da função pública de 17 servidores;
- impedimento da nomeação de oito candidatos aprovados nos concursos investigados.
O objetivo das diligências é recolher documentos, equipamentos eletrônicos e demais elementos que possam esclarecer o funcionamento do suposto esquema e identificar outros envolvidos.
Operação Electus chega à terceira fase
A investigação é um desdobramento das duas fases anteriores da Operação Electus, deflagradas em 10 de junho e 1º de outubro de 2025.
Desde então, o Gaeco apura um suposto esquema de fraudes em concursos públicos promovidos por municípios do Oeste catarinense, com o objetivo de beneficiar candidatos previamente selecionados.
O próprio nome da operação faz referência ao termo latino electus, que significa "escolhido" ou "eleito", em alusão à suspeita de que determinados candidatos seriam favorecidos antes mesmo da realização dos concursos.
Como o procedimento tramita sob sigilo, o Ministério Público informou que novas informações serão divulgadas apenas quando houver publicidade dos autos.
Justiça condenou envolvidos por fraude em concursos SC
A nova fase da Operação Electus ocorre apenas dois dias após outro desdobramento importante das investigações.
Na última semana, a Justiça de Santa Catarina condenou pai e filho pelos crimes de associação criminosa, falsificação de documento particular e fraude em concurso público relacionado no município de Entre Rios, também no Oeste catarinense.
Cada um recebeu pena de 19 anos e dois meses de reclusão, em regime inicial fechado, além do pagamento de 910 dias-multa.
Segundo o Ministério Público, o pai era responsável por firmar contratos com municípios e negociar as fraudes, enquanto o filho publicava editais, alterava gabaritos, analisava recursos e modificava notas, conforme os interesses da organização.
A Promotoria também sustentou que os investigados atuavam para beneficiar candidatos específicos e impedir a aprovação de outros, tendo sido encontradas, durante as investigações, listas contendo anotações como "não passar de jeito nenhum", indicando possível direcionamento dos resultados.
O Ministério Público ainda informou que recorrerá da absolvição de um terceiro investigado.










