O concurso TJ SP voltou ao radar dos candidatos após o tribunal confirmar que estuda novos editais, entre eles, para escrevente. Mesmo sem prazo definido para a publicação, o candidato já pode iniciar a preparação com base no histórico da seleção.
O professor especialista na carreira de tribunais, Matheus Santos, analisou a última prova de escrevente do Tribunal de Justiça de São Paulo e aponta quais disciplinas devem receber mais atenção, considerando o peso das matérias e o perfil de cobrança da Vunesp.
Concurso TJ SP: quais disciplinas priorizar?
A distribuição do tempo de estudo deve acompanhar o peso das disciplinas na prova.
No último concurso, realizado em 2025, a prova objetiva foi composta por 70 questões de múltipla escolha, com cinco alternativas cada, divididas em três blocos:
► Bloco I: Língua Portuguesa: 16 questões;
► Bloco II: Conhecimentos em Direito: 30 questões (Direito Penal, Processual Penal, Processual Civil, Constitucional, Administrativo e Legislação Interna)
► Bloco III: Conhecimentos Gerais: 24 questões, sendo:
- Atualidades: 4 questões;
- Matemática: 4 questões;
- Informática: 9 questões; e
- Raciocínio Lógico: 7 questões.
Considerando a quantidade de questões por disciplina, a recomendação é reservar cerca de metade do tempo semanal para Direito, enquanto Português deve ocupar aproximadamente um quarto da carga horária.
"A organização mais eficiente, portanto, é uma distribuição desigual e proporcional ao peso: reservar cerca de metade do tempo semanal para Direito, um quarto para Português e o restante dividido entre Informática, Raciocínio Lógico, Matemática e Atualidades", orienta o professor Matheus Santos.
Além da distribuição do tempo, a rotina deve incluir revisões cíclicas e resolução de questões da Vunesp desde o início da preparação.
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Como é cobrado o Direito no concurso TJ SP?
Na última prova, o Bloco II, de Conhecimentos em Direito, concentrou 30 das 70 questões. A disciplina também exigiu, no mínimo, 50% de acertos, o que faz de Direito não apenas o maior bloco da avaliação, mas também um critério eliminatório.
Dentro do conteúdo, Matheus Santos recomenda atenção à Lei de Improbidade Administrativa e à Legislação Interna do TJ SP. Os temas somaram oito questões na última prova e, segundo o professor, costumam ser deixados pelos candidatos para o fim da preparação.
Na parte de legislação interna, os assuntos a serem estudados incluem o Estatuto dos Funcionários Públicos Civis de São Paulo, o Regimento Interno, as Normas da Corregedoria e as resoluções sobre teletrabalho e eproc.
"Sempre estude o Direito pela lista fechada de artigos do edital, com o código aberto ao lado, e não por manuais completos, porque o programa delimita exatamente quais dispositivos podem ser cobrados", orienta.
O professor também destaca o perfil da Vunesp na disciplina. Na última prova, a cobrança se concentrou mais em situações hipotéticas do que na simples reprodução da letra da lei.
"A última edição praticamente abandonou a "letra de lei seca" e apresentou quase todo o bloco de Direito em forma de situações hipotéticas — um oficial de justiça que cumpre diligência num sábado às 21h, um servidor convidado para uma competição esportiva internacional, um escrevente em dúvida se pode assinar um ofício a autoridade —, exigindo que o candidato subsuma o caso à norma e perceba a diferença entre a regra e sua exceção", explicou.
Nesses casos, o candidato precisava identificar a norma aplicável, interpretar a situação apresentada e diferenciar a regra da exceção.
Como estudar Português para o concurso TJ SP?
Português teve 16 questões na última prova e também apresentou caráter eliminatório.
A cobrança ficou concentrada em gramática contextualizada. Entre os conteúdos destacados pelo professor estão concordância, pontuação, crase, regência e colocação pronominal.
Esses temas apareceram em quase metade do bloco, muitas vezes combinados dentro de uma mesma alternativa.
"Em Português, a gramática vem sempre ancorada em texto e com dois ou três fenômenos por alternativa", explica.
Por isso, o professor recomenda que o candidato não trate os conteúdos gramaticais de forma isolada. A resolução de questões deve ajudar o estudante a entender como a Vunesp combina diferentes assuntos dentro dos textos.
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Como é a cobrança de Informática no concurso TJ SP?
Informática teve nove questões e foi a disciplina de maior peso individual depois de Direito e Português.
Segundo Matheus Santos, a cobrança ocorreu de maneira prática. Entre os conteúdos destacados estão:
- fórmulas do Excel;
- formatação no Word;
- OneDrive;
- Teams; e
- buscas.
Para a disciplina, o candidato precisa compreender como as ferramentas funcionam diante das situações apresentadas pela banca.
"Em Informática, a banca pede que se simule mentalmente o comportamento do software, ação por ação", conta o prof
Como estudar Raciocínio Lógico, Matemática e Atualidades no TJ SP?
Segundo o professor, em Raciocínio Lógico a Vunesp concentrou a cobrança em sequências e problemas de posicionamento e veracidade.
O conteúdo apresentou pouco formalismo. Por isso, a preparação deve priorizar a interpretação das situações e a identificação das relações lógicas apresentadas nos enunciados.
Matemática e Atualidades completam o ciclo de estudos. A recomendação é reservar para essas disciplinas o período restante da carga horária, sem deixar de manter contato periódico com todos os conteúdos.
Dessa forma, o candidato evita concentrar os estudos apenas nas matérias de maior peso e deixar as demais disciplinas para a reta final.
Atualidades também pode contribuir para a preparação para a redação. O acompanhamento de temas relevantes ajuda o candidato a ampliar o repertório que pode ser utilizado na construção dos textos.
Como treinar redação para o concurso TJ SP?
A redação deve fazer parte da rotina desde o início da preparação. Na última seleção, a prova objetiva e o texto dissertativo-argumentativo foram aplicados no mesmo dia.
Matheus Santos recomenda treinar textos com 30 linhas manuscritas, reproduzindo as condições previstas no edital.
O candidato deve observar os critérios de avaliação. Na seleção anterior a prova penalizou:
- uso da primeira pessoa;
- referências diretas à coletânea; e
- paráfrase excessiva dos textos de apoio.
Como reforça o professor, a proposta de intervenção não é exigida. Por isso, o treinamento deve considerar o formato específico da avaliação e os critérios utilizados pela banca.
Dica de como começar a estudar para o concurso TJ SP
Para quem está começando agora, Matheus Santos recomenda inverter a ordem tradicional de preparação. Em vez de acumular teoria para depois resolver questões, o candidato deve começar pelas provas anteriores de escrevente do TJ SP.
"Comece resolvendo as provas anteriores de escrevente do TJSP para mapear o padrão e as pegadinhas recorrentes, e use esse diagnóstico para dirigir a leitura da lei", orienta Matheus Santos.
A partir desse diagnóstico, o candidato deve montar um ciclo semanal que mantenha contato com todas as disciplinas.
O professor destaca que a leitura dos artigos previstos no edital deve ser acompanhada por questões relacionadas aos dispositivos. Segundo ele, o candidato deve ter um caderno de erros e revisá-lo semanalmente.
O treinamento não deve se limitar ao conteúdo. Como a prova reúne 70 questões e redação no mesmo dia, o candidato também precisa praticar o gerenciamento do tempo.
Matheus Santos recomenda realizar simulados completos para testar o ritmo de resolução das questões e o tempo dedicado à redação
Concurso TJ SP está em estudo para escrevente e oficial de justiça
O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou que estuda novos concursos para escrevente técnico judiciário e oficial de justiça.
Para escrevente, os estudos abrangem da 2ª à 10ª Regiões Administrativas Judiciárias. Para oficial de justiça, o planejamento considera todas as regiões do Estado.
A informação foi divulgada pela juíza assessora da Presidência na área de Recursos Humanos, Mônica Gonzaga Arnoni, nas redes sociais do tribunal.
"Também estamos estudando a abertura de novos concursos para o cargo de Escrevente Técnico Judiciário na segunda a décima regiões administrativas e para o cargo de Oficial de Justiça em todas as regiões do Estado", afirmou Mônica.
Ainda não há prazo para os novos editais, número de vagas ou bancas organizadoras definidas.
O cenário, porém, permite que os candidatos iniciem a preparação com base nas provas anteriores.









