A carreira de analista judiciário dos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) envolve atividades que vão muito além da análise de processos. Os servidores participam da organização e da execução das eleições, com atribuições administrativas, técnicas e operacionais.
É o caso de Matheus Santos, analista judiciário do Tribunal Regional Eleitoral do Amazonas (TRE-AM), aprovado em quarto lugar no concurso TSE Unificado.
O servidor ingressou no tribunal no cargo de analista judiciário, na especialidade de Tecnologia da Informação (TI).
Atualmente, ele trabalha com operações e gestão de contratos na área de Informática, mas também participa das atividades relacionadas às eleições.
“Quando você entra dentro do tribunal, o seu leque abre. Hoje, eu atuo na atividade de operações dentro da área de Tecnologia da Informação, com gestão de contratos relacionados à API, contratações e aquisições de equipamentos, bens e serviços de informática”, explica.
Segundo Matheus, a experiência mostra como a carreira pode reunir diferentes frentes de trabalho. Além das atividades administrativas e técnicas do cotidiano, os analistas também podem atuar diretamente na operação eleitoral, inclusive em municípios do interior.
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Concurso TRE: o que faz um analista judiciário?
As atribuições dos analistas judiciários variam conforme a área de atuação, a especialidade e a lotação.
Na Justiça Eleitoral, o trabalho abrange tanto a atividade judicial quanto a organização administrativa e operacional das eleições.
Na parte judicial, os servidores atuam em atividades relacionadas aos processos eleitorais, como ações envolvendo campanhas, prestação de contas e propaganda irregular. Também há equipes dedicadas ao suporte administrativo necessário para o funcionamento dos tribunais e cartórios eleitorais.
Já a execução das eleições exige planejamento, organização e trabalho técnico. Entre as atividades estão a preparação das urnas eletrônicas, a logística de distribuição dos equipamentos, o treinamento de mesários e o suporte às equipes responsáveis pelo pleito.
“Eu costumo dividir em duas atividades grandes. Tem a parte judicial, que envolve o julgamento das ações, das campanhas e das prestações de contas, mas também tem a própria atividade administrativa, que é a execução das eleições”, detalha Matheus.

Ele destaca que a Justiça Eleitoral tem uma particularidade em relação a outros ramos do Judiciário, como a Justiça do Trabalho e a Justiça Federal.
“Além da atividade judicial, o tribunal atua de forma muito executiva também, trabalhando diretamente na execução da própria eleição. Nós somos uma das poucas justiças no mundo que fazem eleições”, afirma.
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Como é a atuação dos analistas durante as eleições?
O período eleitoral amplia as frentes de trabalho dos servidores. Matheus explica que os analistas participam de diferentes etapas, desde a preparação dos equipamentos até a transmissão e a totalização dos votos.
Entre as atividades estão a carga das urnas eletrônicas, com os dados de candidatos, eleitores e seções eleitorais, além da conferência dos equipamentos e do planejamento logístico para que as urnas cheguem aos locais de votação.
Os servidores também podem atuar na preparação dos locais de votação, no treinamento de mesários e coordenadores e no suporte aos chefes de cartório e aos juízes eleitorais.
“No dia da eleição, nosso trabalho é diretamente no operacional. A gente presta suporte aos chefes de cartório e ao município, atua com o juiz eleitoral e verifica as escolas, as urnas, os lacres e os softwares”, relata.
Matheus também cita o acompanhamento da impressão da zerésima, documento emitido pela urna eletrônica antes do início da votação para demonstrar que não há votos registrados para os candidatos.
Depois do encerramento da votação, o trabalho continua. Os servidores participam das atividades relacionadas à transmissão dos dados das urnas eletrônicas e à totalização dos votos, além dos procedimentos posteriores ao pleito.
“É uma experiência bem interessante porque a gente acompanha a atuação da Justiça Eleitoral de perto, desde a preparação até o dia da eleição e, depois, a transmissão e a totalização dos votos”, conta.
Analista relata desafios no interior do Amazonas
A atuação da Justiça Eleitoral no Amazonas apresenta desafios logísticos particulares. Em razão das características geográficas do estado, durante as eleições, a distribuição de equipamentos e o deslocamento das equipes podem exigir viagens por rios, além do uso de aeronaves.
Matheus já participou de atividades no interior e conta que uma das experiências foi prestar apoio à estruturação de um cartório eleitoral em Tapauá. A equipe ficou responsável pela preparação dos equipamentos, configuração dos sistemas e realização de treinamentos.
“A gente foi montar o cartório, fazer toda a preparação dos equipamentos, dos sistemas e os treinamentos”, lembra.
Durante as eleições, os deslocamentos também fazem parte da rotina de apoio aos municípios. O analista relata ter viajado de lancha por horas para chegar a localidades distantes e contribuir com a organização do pleito.
“Foram horas dentro de uma lancha, no meio do rio Amazonas, para chegar ao município mais distante e levar essa prestação do trabalho eleitoral”, conta.
Para ele, a experiência evidencia a importância do trabalho dos servidores para garantir que os eleitores possam exercer o direito ao voto, mesmo em regiões de difícil acesso.
“É um trabalho bem gratificante, porque a gente vê de perto a nossa atuação nas eleições. Isso torna o trabalho mais dinâmico e permite acompanhar todas as etapas”, destaca.
Servidor do TRE pode trabalhar em home office?
A possibilidade de trabalho remoto é outro aspecto da carreira citado por Matheus. Atualmente, ele trabalha presencialmente no TRE AM, mas afirma que já pode solicitar a mudança para o regime híbrido ou teletrabalho, conforme as regras do tribunal.
Segundo o servidor, a solicitação pode ser feita após um ano de exercício, observadas as condições aplicáveis. A possibilidade, no entanto, não significa que todos os cargos ou unidades adotem automaticamente esse modelo.
“A minha jornada hoje é 100% presencial, porém já posso solicitar a migração para um trabalho híbrido ou 100% home office. O tribunal tem essa permissão”, explica.
A organização do trabalho também depende das atribuições exercidas e das necessidades da unidade.
Atividades administrativas e de tecnologia podem ter características diferentes daquelas que exigem presença em cartórios, preparação de urnas ou suporte operacional durante as eleições.
Por isso, quem pretende ingressar na carreira deve considerar tanto as possibilidades de atuação quanto as responsabilidades específicas do cargo e da lotação.
Concurso TRE: carreira também tem oportunidades em outras áreas
Embora Matheus tenha ingressado na especialidade de Tecnologia da Informação, a carreira de analista judiciário abrange diferentes áreas de atuação.
A estrutura dos tribunais reúne profissionais que trabalham com atividades judiciais, administrativas, financeiras e técnicas.
O servidor cita, por exemplo, as áreas de licitações, orçamento, contabilidade e patrimônio, além das equipes responsáveis pela infraestrutura tecnológica e pela contratação de bens e serviços.
Também existem servidores que atuam diretamente nos cartórios eleitorais, especialmente no interior. Conforme a lotação e as funções exercidas, eles podem assumir a chefia dessas unidades e participar da organização dos serviços prestados à população.
Entre as atividades dos cartórios estão o atendimento aos eleitores, a emissão de títulos eleitorais, os procedimentos de biometria e o recebimento de justificativas eleitorais, além do suporte aos processos e às demandas da Justiça Eleitoral.
“São diversas atribuições que estão em foco na atividade do analista. Além da atividade-fim, que envolve as eleições e os processos, também existe a atividade administrativa que o tribunal precisa desenvolver”, resume.
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Como é a rotina de quem escolhe a carreira?
Para Matheus, uma das principais surpresas depois do ingresso foi perceber a variedade de experiências proporcionadas pelo trabalho na Justiça Eleitoral.
Antes de assumir o cargo, ele imaginava que a rotina seria menos dinâmica. A participação nas eleições e as viagens pelo interior, porém, mostraram outras possibilidades de atuação.
“Eu era policial e imaginei que talvez não teria tantas emoções, mas me surpreendi quando entrei, porque percebi que o meu trabalho era bem dinâmico”, relata.
Antes de ingressar na Justiça Eleitoral, Matheus acumulou quase seis anos de experiência como policial rodoviário federal (PRF) e outros dois anos como técnico judiciário de um Tribunal Regional do Trabalho (TRT).
A mudança de carreira foi motivada pela busca por uma rotina mais previsível e pela possibilidade de conciliar o trabalho com a vida familiar. Pai de três meninas, ele encontrou nos tribunais uma alternativa que se alinhava melhor às suas prioridades.
“Costumo dizer que não existe carreira melhor que a outra, existe a carreira que mais se adequa ao seu perfil.”
Embora reconheça os atrativos da área policial, como a remuneração e as oportunidades de ingresso, ele explica que os plantões, as escalas de serviço e os imprevistos da profissão não correspondiam ao estilo de vida que desejava.
“Troquei a rodovia pelo escritório. Troquei a arma pela urna. Troquei o plantão por uma rotina fixa. E essa troca me trouxe mais qualidade de vida do que eu imaginava, não só no sentido financeiro, mas principalmente no sentido de presença.”
Como se preparar para um concurso TRE?
Para quem sonha com uma vaga na Justiça Eleitoral, a trajetória de Matheus mostra que a mudança de carreira é possível com planejamento e preparação.
Atualmente, além de exercer o cargo de analista judiciário, ele atua como professor especialista em carreiras de tribunais no Qconcursos.
A experiência em diferentes órgãos públicos também permite ao professor compartilhar aprendizados sobre os desafios da preparação e as escolhas envolvidas na busca por uma vaga.
“Se o cargo público dos seus sonhos é um tribunal, saiba que esse caminho existe, é possível e pode transformar a sua vida como transformou a minha.”
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