CNU: professor exemplifica critérios para entrar com recursos

Veja quem pode recorrer das notas, quais critérios analisar no espelho de correção e como fundamentar o pedido dentro do prazo do CNU 2025.

Dicas para concursos
Autor:Júlia Sestero
Publicado em:26/01/2026 às 17:55
Atualizado em:26/01/2026 às 17:55


Antes de protocolar o pedido, o professor de Português, Décio Terror, orienta que o candidato analise com atenção o espelho de correção e os critérios adotados na avaliação da prova discursiva.

Quando vale a pena recorrer da nota discursiva

Segundo o professor do Qconcursos, o primeiro aspecto a ser compreendido é que a interposição de recurso não gera perda de pontos. A banca pode apenas manter ou elevar a nota, caso concorde com os argumentos apresentados.


Apesar disso, o recurso não deve ser automático. Pedidos genéricos, sem confronto direto com os critérios do espelho de correção, tendem a ser indeferidos e indicam leitura superficial da avaliação.


O candidato deve concentrar a contestação apenas nos itens em que identifica divergência entre o texto produzido e a pontuação atribuída.


A argumentação precisa ser técnica, objetiva e respeitosa, sem manifestações emocionais ou tom de inconformismo pessoal.

“O avaliador reanalisa o texto com base em critérios objetivos; por isso, o pedido deve ser técnico, claro e fundamentado no próprio texto”, destaca Décio Terror.

CNU 2025: como funcionou a correção das provas discursivas

A correção das provas discursivas seguiu os critérios definidos em edital, de acordo com o nível de escolaridade do cargo.


Para os cargos de nível superior, a nota foi composta por:

  • Conhecimentos Específicos (50% da pontuação), considerando a capacidade de mobilizar conceitos, técnicas e práticas relacionadas ao Bloco Temático.
  • Domínio da Língua Portuguesa (50%), com análise da norma culta, estrutura textual, coerência e coesão.

Para os cargos de nível médio, o Domínio da Língua Portuguesa correspondeu a 100% da nota, avaliando ortografia, gramática, organização do texto e clareza das ideias.


Apenas o texto transcrito na folha definitiva foi considerado na correção. Provas em branco, fora do tema, com letra ilegível ou em desacordo com o enunciado receberam nota zero.


+ Não passou no CNU? Veja quais próximos concursos fazer

O que observar em cada critério ao analisar o espelho

Como exemplo, Décio Terror destaca pontos observados no espelho de correção do bloco 9. A orientação é confrontar cada critério com a própria redação e verificar se existe margem técnica para recurso.

Critério 1: Estrutura do texto

A banca avalia o atendimento ao gênero dissertativo-argumentativo.


O recurso é indicado quando o texto apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão bem definidos, sem ausência de partes ou desequilíbrio significativo entre elas.

"Se todas as partes estão presentes e organizadas, mas a nota não refletiu isso, há fundamento objetivo para questionamento", explica o professor.

Critério 2: Modalidade

Esse critério analisa o domínio da norma-padrão da língua portuguesa, com foco na estrutura sintática.


O recurso é cabível quando os desvios são pontuais, não recorrentes e não comprometem a compreensão.

"Se você identifica que os erros existentes não caracterizam “estrutura sintática regular com desvios” ou “deficitária”, mas sim um uso globalmente correto da língua, o recurso pode ser pertinente", esclarece Décio Terror.

Critério 3: Coerência

Avalia o projeto de texto, incluindo o planejamento das ideias e o desenvolvimento argumentativo.


É possível recorrer quando há foco temático do início ao fim, progressão lógica entre os parágrafos e ausência de contradições internas.

"Se o texto apresenta organização lógica consistente, com relação clara entre problema, causas e encaminhamentos, e mesmo assim recebeu avaliação de falhas excessivas, o recurso é justificável", explica.

Critério 4: Coesão

Diz respeito aos mecanismos de ligação entre frases e parágrafos.


O pedido de revisão é indicado quando o texto utiliza conectivos variados, não se limita a um bloco único e apresenta repetições pontuais.

"Se os elementos coesivos estão presentes de forma regular e funcional, e a avaliação indicou deficiência maior do que a verificada no texto, cabe pedido de revisão", diz Décio.

O que analisar antes de protocolar o recurso

Antes de entrar com o pedido, o professor recomenda que o candidato revise o espelho de correção, a nota atribuída em cada critério e o próprio texto, adotando um olhar crítico e técnico.


Se for possível apontar trechos específicos da redação que comprovem o atendimento ao critério questionado, o recurso é recomendável. Caso contrário, a melhor decisão pode ser aceitar a nota e direcionar o foco para as próximas etapas do concurso.

"O recurso bem feito não é um desabafo; é uma peça técnica, objetiva e fundamentada", reforça Décio.

O ano do aprovado começa com método. Clique aqui e saiba como!

Prazo para interpor recurso contra notas da discursiva do CNU 2025 está aberto

(Foto: Divulgação)

Provas discursivas foram aplicadas em dezembro

As provas discursivas da segunda edição do Concurso Nacional Unificado foram aplicadas no dia 7 de dezembro do ano passado, em 228 cidades espalhadas pelo país.


Dos 42 mil convocados para a etapa, 8.500 não compareceram, representando 20% de abstenção.


Segundo a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, o número de faltosos ficou dentro do esperado para concursos com duas etapas.


Para os cargos de nível médio, a prova discursiva consistiu em uma redação dissertativo-argumentativa, no valor total de 30 pontos.  


Já para cargos de nível superior, a prova foi composta por duas questões, valendo 22,5 pontos cada, totalizando 45 pontos. Os textos tiveram que ter até 30 linhas.


→ Tem dúvidas sobre qual área de concurso público tem mais a sua cara? Faça o teste e descubra!

Próximas datas do Concurso Unificado

Com a divulgação do resultado das discursivas, os candidatos devem ficar atentos ao cronograma:

  • Interposição de pedidos de revisão das notas da prova discursiva: 26 e 27/01/2026;
  • Resultado dos pedidos de revisão das notas de títulos + resultado definitivo da verificação documental e caracterização da deficiência: 18/02/2026;
  • Divulgação do resultado dos pedidos de revisão das notas da Prova Discursiva e resultado definitivo da Prova Discursiva: 18/02/2026;
  • Previsão de divulgação das listas de classificação (vagas imediatas e lista de espera) – após Fases I a IV: 20/02/2026;
  • 1ª Convocação para confirmação de interesse: 20/02/2026;
  • Período da 1ª confirmação de interesse: 21 a 23/02/2026;
  • Previsão das listas pós-1ª confirmação de interesse: 27/02/2026;
  • 2ª Convocação para confirmação de interesse: 27/02/2026;
  • Período da 2ª confirmação de interesse: 28/02 a 02/03/2026;
  • Previsão das listas pós-2ª confirmação de interesse: 06/03/2026;
  • 3ª Convocação para confirmação de interesse: 06/03/2026;
  • Período da 3ª confirmação de interesse: 07 a 09/03/2026;
  • Previsão das listas pós-3ª confirmação de interesse: 16/03/2026;
  • Início das convocações para nomeação e, quando couber, de investigação social e funcional/defesa de memorial e prova oral/Curso ou Programa de Formação: 16/03/2026;
  • Prazo para envio da documentação – Defesa de Memorial e Prova Oral (Edital MS nº 01/2025): 06 a 10/04/2026.

CNU 2025 oferta mais de 3 mil vagas

A segunda edição do Concurso Nacional Unificado trouxe 3.652 vagas em cargos de níveis médio, técnico e superior. Os salários iniciais são de até R$18,7 mil.


A primeira fase do concurso, a prova objetiva, foi aplicada no dia 5 de outubro em 288 cidades brasileiras.


Mais de 760 mil inscritos eram esperados, contudo, a ministra Esther Dweck divulgou uma porcentagem de faltosos de 42,8%.


Os candidatos aos cargos de nível médio tiveram que responder a 68 questões de múltipla escolha. Enquanto os de nível superior contaram com 90 perguntas, sendo 30 de Conhecimentos Gerais e 60 de Conhecimentos Específicos.

Quero conquistar minha vaga!

Carregando...