Os candidatos do Concurso Nacional Unificado (CNU) de 2025 têm até esta terça-feira, 27 de janeiro, para interpor recurso contra as notas das provas discursivas. Os resultados preliminares já estão disponíveis para consulta no portal da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora.
A solicitação de revisão deve ser realizada exclusivamente pelo site da FGV. As contestações serão examinadas pela banca, e o resultado definitivo dessa etapa está previsto para 18 de fevereiro.
Antes de protocolar o pedido, o professor de Português, Décio Terror, orienta que o candidato analise com atenção o espelho de correção e os critérios adotados na avaliação da prova discursiva.
Quando vale a pena recorrer da nota discursiva
Segundo o professor do Qconcursos, o primeiro aspecto a ser compreendido é que a interposição de recurso não gera perda de pontos. A banca pode apenas manter ou elevar a nota, caso concorde com os argumentos apresentados.
Apesar disso, o recurso não deve ser automático. Pedidos genéricos, sem confronto direto com os critérios do espelho de correção, tendem a ser indeferidos e indicam leitura superficial da avaliação.
O candidato deve concentrar a contestação apenas nos itens em que identifica divergência entre o texto produzido e a pontuação atribuída.
A argumentação precisa ser técnica, objetiva e respeitosa, sem manifestações emocionais ou tom de inconformismo pessoal.
“O avaliador reanalisa o texto com base em critérios objetivos; por isso, o pedido deve ser técnico, claro e fundamentado no próprio texto”, destaca Décio Terror.
CNU 2025: como funcionou a correção das provas discursivas
A correção das provas discursivas seguiu os critérios definidos em edital, de acordo com o nível de escolaridade do cargo.
Para os cargos de nível superior, a nota foi composta por:
- Conhecimentos Específicos (50% da pontuação), considerando a capacidade de mobilizar conceitos, técnicas e práticas relacionadas ao Bloco Temático.
- Domínio da Língua Portuguesa (50%), com análise da norma culta, estrutura textual, coerência e coesão.
Para os cargos de nível médio, o Domínio da Língua Portuguesa correspondeu a 100% da nota, avaliando ortografia, gramática, organização do texto e clareza das ideias.
Apenas o texto transcrito na folha definitiva foi considerado na correção. Provas em branco, fora do tema, com letra ilegível ou em desacordo com o enunciado receberam nota zero.
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O que observar em cada critério ao analisar o espelho
Como exemplo, Décio Terror destaca pontos observados no espelho de correção do bloco 9. A orientação é confrontar cada critério com a própria redação e verificar se existe margem técnica para recurso.
Critério 1: Estrutura do texto
A banca avalia o atendimento ao gênero dissertativo-argumentativo.
O recurso é indicado quando o texto apresenta introdução, desenvolvimento e conclusão bem definidos, sem ausência de partes ou desequilíbrio significativo entre elas.
"Se todas as partes estão presentes e organizadas, mas a nota não refletiu isso, há fundamento objetivo para questionamento", explica o professor.
Critério 2: Modalidade
Esse critério analisa o domínio da norma-padrão da língua portuguesa, com foco na estrutura sintática.
O recurso é cabível quando os desvios são pontuais, não recorrentes e não comprometem a compreensão.
"Se você identifica que os erros existentes não caracterizam “estrutura sintática regular com desvios” ou “deficitária”, mas sim um uso globalmente correto da língua, o recurso pode ser pertinente", esclarece Décio Terror.
Critério 3: Coerência
Avalia o projeto de texto, incluindo o planejamento das ideias e o desenvolvimento argumentativo.
É possível recorrer quando há foco temático do início ao fim, progressão lógica entre os parágrafos e ausência de contradições internas.
"Se o texto apresenta organização lógica consistente, com relação clara entre problema, causas e encaminhamentos, e mesmo assim recebeu avaliação de falhas excessivas, o recurso é justificável", explica.
Critério 4: Coesão
Diz respeito aos mecanismos de ligação entre frases e parágrafos.
O pedido de revisão é indicado quando o texto utiliza conectivos variados, não se limita a um bloco único e apresenta repetições pontuais.
"Se os elementos coesivos estão presentes de forma regular e funcional, e a avaliação indicou deficiência maior do que a verificada no texto, cabe pedido de revisão", diz Décio.
O que analisar antes de protocolar o recurso
Antes de entrar com o pedido, o professor recomenda que o candidato revise o espelho de correção, a nota atribuída em cada critério e o próprio texto, adotando um olhar crítico e técnico.
Se for possível apontar trechos específicos da redação que comprovem o atendimento ao critério questionado, o recurso é recomendável. Caso contrário, a melhor decisão pode ser aceitar a nota e direcionar o foco para as próximas etapas do concurso.
"O recurso bem feito não é um desabafo; é uma peça técnica, objetiva e fundamentada", reforça Décio.
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Prazo para interpor recurso contra notas da discursiva do CNU 2025 está aberto
(Foto: Divulgação)
Provas discursivas foram aplicadas em dezembro
As provas discursivas da segunda edição do Concurso Nacional Unificado foram aplicadas no dia 7 de dezembro do ano passado, em 228 cidades espalhadas pelo país.
Dos 42 mil convocados para a etapa, 8.500 não compareceram, representando 20% de abstenção.
Segundo a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, o número de faltosos ficou dentro do esperado para concursos com duas etapas.
Para os cargos de nível médio, a prova discursiva consistiu em uma redação dissertativo-argumentativa, no valor total de 30 pontos.
Já para cargos de nível superior, a prova foi composta por duas questões, valendo 22,5 pontos cada, totalizando 45 pontos. Os textos tiveram que ter até 30 linhas.
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Próximas datas do Concurso Unificado
Com a divulgação do resultado das discursivas, os candidatos devem ficar atentos ao cronograma:
- Interposição de pedidos de revisão das notas da prova discursiva: 26 e 27/01/2026;
- Resultado dos pedidos de revisão das notas de títulos + resultado definitivo da verificação documental e caracterização da deficiência: 18/02/2026;
- Divulgação do resultado dos pedidos de revisão das notas da Prova Discursiva e resultado definitivo da Prova Discursiva: 18/02/2026;
- Previsão de divulgação das listas de classificação (vagas imediatas e lista de espera) – após Fases I a IV: 20/02/2026;
- 1ª Convocação para confirmação de interesse: 20/02/2026;
- Período da 1ª confirmação de interesse: 21 a 23/02/2026;
- Previsão das listas pós-1ª confirmação de interesse: 27/02/2026;
- 2ª Convocação para confirmação de interesse: 27/02/2026;
- Período da 2ª confirmação de interesse: 28/02 a 02/03/2026;
- Previsão das listas pós-2ª confirmação de interesse: 06/03/2026;
- 3ª Convocação para confirmação de interesse: 06/03/2026;
- Período da 3ª confirmação de interesse: 07 a 09/03/2026;
- Previsão das listas pós-3ª confirmação de interesse: 16/03/2026;
- Início das convocações para nomeação e, quando couber, de investigação social e funcional/defesa de memorial e prova oral/Curso ou Programa de Formação: 16/03/2026;
- Prazo para envio da documentação – Defesa de Memorial e Prova Oral (Edital MS nº 01/2025): 06 a 10/04/2026.
CNU 2025 oferta mais de 3 mil vagas
A segunda edição do Concurso Nacional Unificado trouxe 3.652 vagas em cargos de níveis médio, técnico e superior. Os salários iniciais são de até R$18,7 mil.
A primeira fase do concurso, a prova objetiva, foi aplicada no dia 5 de outubro em 288 cidades brasileiras.
Mais de 760 mil inscritos eram esperados, contudo, a ministra Esther Dweck divulgou uma porcentagem de faltosos de 42,8%.
Os candidatos aos cargos de nível médio tiveram que responder a 68 questões de múltipla escolha. Enquanto os de nível superior contaram com 90 perguntas, sendo 30 de Conhecimentos Gerais e 60 de Conhecimentos Específicos.





















