O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou que o caso Master expõe também as limitações da instituição para fiscalizar o sistema financeiro. De acordo com ele, sem concurso Bacen, há falta de pessoal para dar conta de toda a operação.
"Ciente que o cobertor é curto, a gente vai ter que escolher o que cobre e o que não cobre. A gente vai ter que começar a fazer uma gestão de risco dizendo assim: não há cobertor para cobrir tudo", constatou o presidente.
As afirmações aconteceram na terça-feira, dia 19, durante audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal.
"O BC tem uma legislação defasada e oferece mais recursos que outros bancos, como o funcionamento 24/7 do PIX, sem um corpo de funcionários suficiente. O que dificulta a fiscalização efetiva", disse.

Gabriel Galípolo participa de audiência pública no Senado
(Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
Ainda segundo Galípolo, o Banco Central tem mais instituições para fiscalizar do que funcionários.
"Quando vem o Banco Central da Europa, são 20, 30 pessoas para fiscalizar uma instituição e aqui no Brasil é uma pessoa para fiscalizar 20, 30 instituições. É disso que nós estamos falando. É sinal invertido”, pontuou.
O presidente também citou que, este ano, mais 100 servidores devem se aposentar no setor de supervisão. "De 600 vai cair para 500, com muito mais instituições que nós temos hoje no mercado para serem supervisionadas", frisou.
A aprovação não é sorte. É método. Comece agora.
Sem concurso válido, Bacen tem 3.160 cargos vagos
O Banco Central tem o total de 3.160 cargos vagos em seu quadro de pessoal. O número é referente ao mês de abril de 2026 e consta no Portal da Transparência da instituição.
O déficit do BC está distribuído por três cargos:
- auditor: 2.537 cargos vagos;
- procurador: 149 cargos vagos; e
- técnico: 474 cargos vagos.
O cargo de auditor, antigo analista do Banco Central, exige o nível superior. Os subsídios iniciais, conforme recente reajuste, são de R$18.033,52.
Já os técnicos do BC são profissionais de nível médio, que contam com iniciais de R$7.453,62.
O cargo de procurador é destinado apenas a bacharéis em Direito, com exercício mínimo de dois anos de prática forense. Os ganhos são de R$24.967,31, em início de carreira.
O último concurso Bacen ficou válido até março deste ano. Desta forma, o Banco Central não tem mais lista de aprovados em validade para realizar convocações.
Banco Central pediu autorização para concurso com 560 vagas
Em 2025, o Bacen enviou pedido para autorização de um novo concurso com 560 vagas.
A solicitação está em análise pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), sem um parecer, até o momento.
Em resposta ao Qconcursos Folha Dirigida, o banco informou que o total de vagas solicitado foi distribuído por três cargos, sendo:
- auditor: 410 vagas;
- técnico: 110 vagas; e
- procurador: 40 vagas.
Como o pedido ainda não foi atendido, o BC deve encaminhar um novo pleito este ano para o provimento de vagas.
A reportagem já entrou em contato com o banco, mas ainda não teve resposta sobre a nova solicitação. Os órgãos e autarquias federais têm até o dia 31 de maio para enviar os pedidos de concursos ao MGI.
Leia também: Concursos Federais: órgãos começam a enviar pedidos para 2027
Último concurso Bacen foi aberto em 2024
O último concurso para o Bacen teve edital publicado em 2024. A oferta total foi de 300 vagas, sendo 100 imediatas e 200 para a formação do cadastro de reserva.
As oportunidades foram divididas entre as seguintes áreas:
- analista – área de Economia e Finanças Públicas: 50 imediatas + 100 em cadastro de reserva; e
- analista – área de Tecnologia da Informação (TI): 50 imediatas + 100 em cadastro de reserva.
Em ambos os casos, o requisito foi o nível superior completo em qualquer área de formação.
Com organização da banca Cebraspe, os candidatos foram avaliados por prova objetiva, prova discursiva, sindicância e vida pregressa, avaliação de títulos e Programa de Capacitação (Procap).









