Concurso IBGE: coordenador fala sobre editais e nova escolaridade

Em entrevista exclusiva, coordenador Bruno Malheiros revela detalhes do próximo concurso IBGE e confirma nova escolaridade para recenseador. Confira!

Entrevistas
Publicado em:08/07/2026 às 11:00
Atualizado em:08/07/2026 às 11:09

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística vive um dos períodos mais movimentados dos últimos anos em relação aos concursos IBGE. Após dois editais, o instituto prepara uma nova seleção temporária para atender às demandas do Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola.


Paralelamente às seleções temporárias, o instituto também aguarda autorização para realizar um novo concurso para efetivos, previsto para ocorrer após o encerramento da validade do Concurso Nacional Unificado (CNU).


As informações foram detalhadas pelo coordenador de Recursos Humanos do IBGE, Bruno Malheiros, em entrevista exclusiva ao Qconcursos Folha Dirigida.


Durante a conversa, Bruno Malheiros comentou os editais já publicados, explicou as diferenças entre os cargos temporários, detalhou o cronograma do Censo Agropecuário e atualizou o cenário do próximo concurso efetivo do instituto.


Entre os processos seletivos temporários, apenas o edital para recenseador ainda não foi publicado.


A seleção, que deverá ofertar mais de 27 mil vagas em todo o país, segue em fase de preparação e hoje concentra a maior expectativa dos candidatos.


Além de atualizar o cronograma da seleção, o coordenador revelou mudanças inéditas para o cargo de recenseador, entre elas a alteração da escolaridade exigida e a adoção de um novo modelo de remuneração, que contará com salário fixo e benefícios.


A seguir, confira os principais trechos da entrevista e entenda o que já está confirmado para os próximos concursos do IBGE!


Concurso IBGE terá recenseador de nível médio pela primeira vez

A principal novidade revelada por Bruno Malheiros durante a entrevista diz respeito ao cargo de recenseador, único processo seletivo temporário do IBGE que ainda aguarda a publicação do edital.


Segundo o coordenador de Recursos Humanos, a seleção deixará de exigir o ensino fundamental, como ocorreu no último Censo Demográfico, e passará a cobrar ensino médio completo dos candidatos.


De acordo com ele, a mudança está diretamente relacionada ao perfil do próximo levantamento que será realizado pelo instituto.


Diferentemente do Censo Demográfico, que visita todos os domicílios do país, o Censo Agropecuário reúne informações muito mais específicas sobre propriedades rurais, produção agrícola, pecuária, aquicultura e atividades florestais.

"O recenseador vai ser de nível médio dessa vez, diferente das vezes anteriores. Até o Censo Demográfico de 2022, a gente contratava o recenseador como nível fundamental. É possível que o Demográfico continue assim, mas, no caso do Censo Agro, existem questões muito específicas, muito detalhadas. É preciso ter um nível de conhecimento maior, então a exigência vai ser de nível médio", explicou.

A alteração representa uma mudança significativa para milhares de candidatos que aguardavam o edital. Nas seleções anteriores, o cargo de recenseador sempre figurou entre as principais portas de entrada para quem possuía apenas o ensino fundamental.


Segundo Bruno Malheiros, a mudança não tem relação com aumento salarial ou alteração das atribuições do cargo, mas sim com a necessidade de contar com profissionais mais preparados para lidar com a complexidade das informações que serão coletadas durante a operação censitária.

"Não tem nenhuma alteração. A ideia é ter um recenseador mais qualificado por conta da demanda do Censo Agropecuário."

Mesmo com a elevação da escolaridade, o coordenador acredita que a procura pelo cargo continuará elevada, principalmente pela grande quantidade de vagas previstas e pela distribuição em praticamente todos os municípios br


Outro ponto destacado por Bruno Malheiros é que os candidatos inscritos nos atuais processos seletivos do IBGE também poderão disputar as vagas de recenseador quando o edital for publicado.


No entanto, caso sejam aprovados em mais de uma seleção, será necessário optar por apenas uma contratação.

"Quem participar desses processos seletivos também poderá participar do processo seletivo de recenseador. Mas, mais uma vez, se ele for aprovado em todos, vai ter que escolher um único cargo."

+ Concurso IBGE: o que estudar para recenseador? Veja o que cai!

Recenseador terá salário fixo e novos benefícios

Além da mudança na escolaridade, o próximo processo seletivo para recenseador também deverá trazer outra novidade importante em relação às seleções anteriores: a criação de um salário fixo para os contratados.


Até o Censo Demográfico de 2022, a remuneração dos recenseadores era composta praticamente apenas pela produtividade, ou seja, variava conforme a quantidade de questionários aplicados e entrevistas concluídas.


Agora, segundo Bruno Malheiros, o IBGE pretende adotar um modelo híbrido, combinando uma parcela fixa com outra variável.

"O recenseador vai ter um salário fixo, que é uma novidade. Ele também vai ter uma parcela variável, diferente do que acontecia até o Censo de 2022."

Na avaliação do coordenador, essa mudança busca oferecer maior estabilidade financeira aos trabalhadores temporários, reduzindo uma das principais preocupações observadas nas seleções anteriores.

"A gente quer pagar uma parte fixa e uma parte variável para dar mais estabilidade para esse trabalhador, para que ele tenha garantia do valor que vai receber e da data em que vai receber."

A adoção de um salário fixo também permitirá que os recenseadores tenham acesso aos mesmos benefícios concedidos aos demais temporários do instituto.


Entre eles estão:

  • auxílio-alimentação;
  • auxílio-transporte;
  • auxílio-creche, para quem tiver direito;
  • gratificação natalina (13º salário); e
  • férias proporcionais.
"Por ter um salário fixo, ele vai ter direito ao auxílio-alimentação, auxílio-transporte, enfim, todos os direitos que os trabalhadores têm."

O valor da remuneração ainda não foi definido e dependerá da disponibilidade orçamentária do instituto. Segundo Bruno Malheiros, essa informação deverá ser divulgada apenas mais próximo da publicação do edital.

"O valor em si a gente deve divulgar mais próximo do edital, porque isso depende da discussão orçamentária."

A expectativa do IBGE é que o novo modelo torne o cargo mais atrativo e contribua para a permanência dos recenseadores durante toda a operação do Censo Agropecuário, reduzindo a rotatividade registrada em levantamentos anteriores.

Quando sairá o edital de recenseador? Veja a previsão!

Enquanto os editais para agente de coleta, agente de pesquisas e mapeamento (APM) e supervisor de coleta e qualidade (SCQ) já estão com inscrições abertas, o processo seletivo para recenseador continua em fase de preparação.


Segundo Bruno Malheiros, o principal motivo para o atraso foi a necessidade de revisar alguns pontos do processo de contratação da banca organizadora.


De acordo com ele, duas tentativas anteriores não tiveram sucesso, o que obrigou o instituto a reformular parte do planejamento da seleção.

"A gente teve duas licitações em que não houve interessados. Então, tivemos que rever alguns pontos do processo para torná-lo mais atrativo para as bancas."

O coordenador explica que, além da atualização da autorização concedida pelo Ministério da Gestão e da Inovação (MGI), o IBGE também precisou revisar aspectos técnicos do projeto básico, como a quantidade de municípios onde as provas serão aplicadas.


Segundo ele, essa medida busca tornar a execução do concurso mais viável para a futura banca contratada.

"Estamos fazendo alguns ajustes, principalmente relacionados à aplicação das provas. É um concurso muito grande, presente em praticamente todos os municípios do país, e isso exige uma logística bastante complexa."

Apesar do atraso, Bruno reforça que o cronograma continua dentro do planejado para que os profissionais estejam contratados antes do início do Censo Agropecuário.

"Nossa expectativa continua sendo publicar esse edital no fim de setembro ou no começo de outubro."

Caso esse cronograma seja mantido, a expectativa é que as provas ocorram ainda este ano, permitindo o treinamento dos aprovados antes do início das atividades em campo.

Coordenador explica as diferenças entre os cargos do IBGE

Uma dúvida recorrente entre os candidatos diz respeito às diferenças entre os cargos temporários oferecidos pelo IBGE. Embora todos façam parte da operação censitária, cada função possui atribuições e níveis de responsabilidade distintos.


Durante a entrevista, Bruno Malheiros explicou que os editais atualmente abertos contemplam cargos voltados para pesquisas contínuas realizadas pelo instituto, enquanto o futuro edital para recenseador será específico para o Censo Agropecuário.


Segundo ele, o recenseador é o profissional responsável por visitar os estabelecimentos rurais e realizar diretamente a coleta das informações.

"O recenseador é quem está na ponta. É ele quem vai ao produtor rural, entrevista o responsável pelo estabelecimento e registra todas as informações que vão compor o Censo."

Já os supervisores acompanham o trabalho realizado em campo, prestando apoio às equipes e garantindo a qualidade das informações coletadas.

"O supervisor faz justamente esse acompanhamento. Ele verifica se o trabalho está sendo executado corretamente, orienta os recenseadores e ajuda a resolver os problemas que surgem durante a coleta."

Bruno também destacou que os agentes de pesquisas possuem uma atuação diferente, voltada para levantamentos estatísticos permanentes desenvolvidos pelo instituto ao longo do ano.

"Esses editais que já saíram são para pesquisas contínuas do IBGE. São pesquisas que acontecem durante todo o ano, independentemente da realização do Censo."

Segundo ele, embora todos integrem o mesmo instituto, cada processo seletivo atende a necessidades específicas e possui características próprias quanto às atividades desempenhadas e à forma de contratação.


Atualmente, são dois concursos IBGE com inscrições abertas, totalizando 9.652 oportunidades em cargos de níveis médio e superior.


O primeiro edital do IBGE traz 8.238 vagas temporárias para os cargos de agente censitário e agente operacional, ambos de de nível médio. As inscrições foram prorrogadas até as 14h do dia 9 de julho, pelo site do IBFC.


Já o segundo edital, oferece 1.414 vagas para os cargos de agente censitário de qualidade e analista censitário. Neste caso, a oferta permite a participação de pessoas com os níveis médio e superior. Os salários podem chegar a R$5,2 mil.


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É possível participar de mais de um processo seletivo?

Com diferentes editais previstos para este ano, muitos candidatos também têm dúvidas sobre a possibilidade de disputar mais de uma seleção do IBGE.


De acordo com Bruno Malheiros, não existe impedimento para que o candidato se inscreva em todos os processos seletivos temporários promovidos pelo instituto, desde que cumpra os requisitos exigidos para cada cargo.

"Ele pode fazer todos os concursos. Não existe nenhuma restrição para isso."

No entanto, caso seja aprovado em mais de uma seleção, será necessário optar por apenas um vínculo.


Segundo o coordenador, essa escolha ocorrerá no momento da convocação, já que não é permitido acumular contratos temporários do próprio IBGE.

"Se ele passar para dois, três ou até quatro cargos, vai precisar escolher apenas um. Não é possível assumir mais de um contrato temporário ao mesmo tempo."

A orientação, segundo Bruno, é que o candidato avalie cuidadosamente as características de cada função, como local de atuação, remuneração, jornada e atribuições, antes de decidir qual cargo aceitar.

Por que alguns cargos do IBGE pagam mais do que outros?

Uma das dúvidas mais frequentes entre os candidatos diz respeito às diferenças salariais entre os cargos temporários do IBGE. Afinal, embora todos façam parte da mesma operação censitária, as remunerações variam conforme a função exercida.


Segundo Bruno Malheiros, essa diferença está diretamente relacionada ao nível de responsabilidade de cada cargo dentro da estrutura do instituto.


Enquanto algumas funções são voltadas exclusivamente para a coleta de dados em campo, outras envolvem atividades de supervisão, coordenação e gestão das equipes.

"Existe uma estrutura hierárquica dentro da operação. O recenseador está na ponta, fazendo a coleta das informações. Acima dele existem profissionais responsáveis por acompanhar esse trabalho, orientar as equipes e garantir a qualidade dos dados. É natural que essas responsabilidades diferentes também se reflitam na remuneração."

O coordenador explica que cada cargo possui atribuições específicas e complementares. Os recenseadores são responsáveis pelo contato direto com os informantes, enquanto supervisores e agentes atuam no acompanhamento das equipes, na resolução de pendências e no controle da qualidade das informações coletadas.


Essa divisão de responsabilidades também influencia os requisitos exigidos em cada seleção, a jornada de trabalho e a forma de remuneração prevista para os contratados.

"Cada cargo tem um papel importante dentro da operação. Não existe um mais importante do que o outro. Todos são fundamentais para que o Censo aconteça com qualidade e produza informações confiáveis para o país."

Além da remuneração, Bruno destaca que os candidatos devem observar outros fatores antes de escolher a carreira pretendida, como o perfil das atividades, a rotina de trabalho, a necessidade de deslocamentos e a afinidade com as atribuições de cada função.

Novo concurso efetivo continua nos planos do IBGE

Embora o foco do instituto esteja voltado, neste momento, para a realização do Censo Agropecuário, o fortalecimento do quadro permanente de servidores também segue entre as prioridades da administração.


Segundo Bruno Malheiros, o IBGE encaminhou recentemente ao MGI um novo pedido de autorização para provimento de aproximadamente 900 vagas efetivas.


No entanto, a expectativa é que esse processo avance somente a partir de 2027.

"Nós fizemos esse pedido ao Ministério da Gestão. Existe uma necessidade de recomposição do quadro, mas entendemos que esse processo deve acontecer somente no próximo ano."

O coordenador lembra que o instituto ainda possui um concurso vigente, cujas convocações continuam sendo realizadas por meio do Concurso Nacional Unificado (CNU). Somente após o encerramento desse ciclo é que um novo concurso efetivo deverá ganhar força.


Além das aposentadorias registradas nos últimos anos, Bruno explica que o IBGE precisa preparar uma renovação gradual de seus servidores para garantir a continuidade das pesquisas estatísticas e geográficas desenvolvidas pelo órgão.

"O IBGE produz informações fundamentais para o Brasil. A recomposição do quadro permanente é importante para que o instituto continue desenvolvendo esse trabalho com a qualidade que a sociedade espera."


Ao encerrar a entrevista, o coordenador fez questão de destacar que participar de uma operação censitária vai muito além da conquista de uma vaga temporária.

"Uma operação censitária não é um projeto do IBGE. É um projeto do país. Os dados produzidos durante o Censo orientam políticas públicas, ajudam na distribuição de recursos e servem de base para decisões importantes em diversas áreas."

Para quem sonha em trabalhar no instituto, ele deixa um incentivo:

"Quem deseja fazer parte do IBGE deve aproveitar esse período para estudar, acompanhar as informações oficiais e se preparar. Seja em uma seleção temporária ou em um concurso efetivo, é uma oportunidade de contribuir diretamente com um trabalho que tem impacto em todo o país."

Chegou até aqui, mas ainda não conferiu a entrevista completa com o coordenador de Recursos Humanos do IBGE? Todas as respostas acima e mais detalhes estão no canal do Qconcursos, no YouTube.


Quer ficar por dentro de outros detalhes sobre os concursos do instituto? Confira os links abaixo e aprofunde a sua preparação:


*Colaborou essa entrevista as jornalistas Bruna Somma e Juliana Góes.

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