Enap confirma estudos de novo CNU para carreiras estaduais

Presidente da Enap confirma tratativas para ampliação do Concurso Nacional Unificado (CNU) com carreiras estaduais. Veja!

Publicado em:08/07/2026 às 12:21
Atualizado em:08/07/2026 às 13:13

A presidente da Escola Nacional de Administração Pública, Betânia Lemos, falou sobre a possibilidade de o Concurso Nacional Unificado (CNU) ganhar uma versão mais ampla com a inclusão de carreiras estaduais.


Em entrevista ao JOTA, ela confirmou que conversas sobre o novo modelo estão em andamento junto ao Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad).

"A gente espera que o CNU seja a porta de entrada para o serviço público federal. Não só federal, mas também estadual. A gente já está em conversas com o Consad (Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração) para poder fazer um CNU de pelo menos algumas carreiras estaduais. Eles nos procuraram", afirmou Betânia.

Segundo a presidente da Enap, a ideia do Governo Federal é que o Concurso Unificado se consolide como porta de entrada para o serviço público de forma geral.

Fachada da Escola Nacional de Administração Pública
Enap conduz estudos para ampliação do CNU para estados (Foto: José Lourenço/Divulgação/Agência Brasil)


No caso dos estados, o concurso teria carreiras administrativas ou que tenham uma mínima padronização. A proposta inicial é aplicar uma única prova para as vagas de cada estado.

"A ideia é contemplar carreiras comuns em todos os estados. Carreiras administrativas, em especial, ou de gestão, que tenham uma unificação de regulamento em cada estado, uma padronização, podem ser contempladas para que a gente possa fazer um concurso único e as pessoas escolham para quais estados irão. Fazer uma única prova para as vagas de cada estado, essa é a ideia inicialmente, mas está bem rudimentar. Estamos começando a conversar, mas a gente acha que isso vai avançar", detalhou.

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Ministra Esther Dweck também menciona CNU mais amplo

No ano passado, em meio às discussões da Reforma Administrativa, a ministra da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, falou sobre a possibilidade de ampliar o CNU para estados e municípios.

"A gente vai discutir, talvez precise de algumas mudanças legais quanto a isso. O que temos feito é tentar tornar o CNU uma política permanente", disse a ministra, em audiência pública na Câmara dos Deputados.

Na ocasião, o presidente do Conselho Nacional de Secretários de Estado da Administração (Consad) questionou porque outros entes federativos não podem participar do Concurso Unificado.

"Por que os municípios e estados não podem aderir ao resultado desse concurso e contratar os classificados?", indagou o presidente do Consad.

Mesmo sem uma regulamentação nacional, alguns estados já realizaram seleções unificadas. É o caso de Pernambuco, Rio Grande do Norte e Piauí.

Reforma Administrativa inclui CNU para estados e municípios

Em outubro de 2025, foi apresentada a proposta de uma nova Reforma Administrativa. São cerca de 70 propostas que impactam o funcionalismo público.


Sobre concursos, a Reforma Administrativa pretende ampliar a atuação do Concurso Nacional Unificado (CNU).


A proposta é garantir que esse modelo não se perca nas próximas gestões e alcance um caráter ainda mais nacional ao viabilizar a participação dos estados e municípios a este tipo de instrumento de seleção.


O objetivo é que todos os entes e poderes possam participar de um grande cadastro de aprovados. Com isso, haveria a redução de custos para pequenos municípios, que muitas vezes não conseguem planejar e realizar seus próprios concursos.  

"O Concurso Nacional Unificado seria realizado com uma periodicidade de dois em dois anos, trazendo maior previsibilidade e oferecendo milhares de oportunidades em prefeituras, estados e órgãos públicos dos três poderes, como professores, policiais, médicos, enfermeiros e pessoal de limpeza pública", diz o texto.  

A Proposta de Emenda Constitucional 38/2025 foi protocolada na Câmara dos Deputados, mas ainda não teve avanços internamente.

Novo Concurso Nacional Unificado está previsto para 2027

O atual Governo Federal defende que o Concurso Nacional Unificado seja uma política pública permanente.


Por isso, transferiu os conhecimentos sobre o concurso para a Enap, que será a responsável por organizar os próximos editais.

"A Enap assume 100% tudo do CNU. Ela vai ser a executora do programa e o MGI fica como gestor da política. O ministério define as diretrizes, define a norma e a gente vai executar essas duas grandes áreas. Para facilitar o entendimento, a Enap vai ser o que o Inep é para o Enem. O Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) executa todo o ENEM e o MEC (Ministério da Educação) é o gestor da política", explicou a presidente da Enap, Betânia Lemos.

Segundo a presidente, um novo CNU está previsto para 2027, em caso de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.


A ideia é que os Concursos Unificados ocorram com regularidade, de dois em dois anos.

"Não há a confirmação, mas a gente espera que já no primeiro ano estejamos organizando. A política foi desenhada para ocorrer de dois em dois anos. Esse é o modelo que a gente pensou. Nos anos ímpares a gente faz as provas nacionais para que se possa ter uma previsibilidade de entrada de servidores no serviço público e não passarmos dez anos sem servidor, como aconteceu antes."

O Concurso Nacional Unificado teve suas primeiras edições em 2024 e 2025. Foram abertas milhares de vagas para diferentes órgãos e autarquias do Poder Executivo Federal.


O modelo inovou ao permitir que uma pessoa disputasse vagas em diferentes órgãos e cargos, pagando uma única taxa de inscrição. Outra novidade foi a aplicação das provas em mais de 200 cidades espalhadas por todo o país.


Antes, a maioria dos concursos federais só realizava provas nas capitais dos estados brasileiros e no Distrito Federal.

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